A Coca-Cola terá gasto milhares de euros no financiamento de programas e investigações que provem que os seus refrigerantes não causam obesidade, segundo o The Times.
 
Foram descobertas ligações financeiras a mais de uma dúzia de cientistas britânicos, incluindo conselheiros de saúde do Governo, no sentido de colocarem em causa a ligação entre bebidas açucaradas e obesidade.
 
O gigante norte-americano de bebidas, um dos principais patrocinadores dos Jogos Olímpicos e do Mundial de Futebol, por exemplo, é suspeito de financiar em cerca de 6,5 milhões de euros a criação o Instituto Europeu de Hidratação (EHI), organismo que recomenda a prática desportiva e o consumo de refrigerantes como Coca-Cola, escreve o jornal britânico.
 
Segundo o The Times, Ron Maughan, presidente do conselho científico do EHI, e professor emérito de Ciências Desportivas na Universidade de Loughborough, recebeu perto de 1,4 milhões de euros da Coca-Cola por aconselhamento de nutrição junto de importantes entidades desportivas, como as federações britânicas de atletismo e de futebol.

A Coca-Cola terá financiado também organizações tanto da sociedade civil como públicas, como a UKActive, a Fundação Britânica para a Nutrição, o Fórum Nacional para a Obesidade, a Associação Britânica de Nutricionistas e a Associação para o Estudo da Obesidade, entre muitas outras.
 
“Está a tentar manipular não só a opinião pública mas também práticas e decisões políticas usando táticas semelhantes às usadas pelas indústrias do tabaco e do álcool, que também tentaram influenciar a comunidade científica financiando grupos independentes. É um conflito de interesses que vai contra as boas práticas”, acusou Simon Capewell, do conselho de administração da Faculdade de Saúde Pública.

A Coca-Cola no Reino Unido alega que "precisa da investigação científica para tomar decisões sobre os produtos e ingredientes", por acreditar que tem "um papel importante no combate à obesidade". "Avançámos no sentido de ajudar as pessoas ao reduzir o açúcar e as calorias das nossas bebidas através da reformulação, além da introdução de embalagens mais pequenas e do investimento em marketing para as opções sem açúcar", defende a companhia, considerando "que tudo isto envolve encontros e parcerias com profissionais de saúde e governamentais".

A investigação britânica surge cerca de dois meses depois de o The New York Times ter publicado vários artigos nos quais acusava a maior produtora mundial de refrigerantes de financiar organizações que promovem a ideia de que a prática de exercício físico é que é o melhor combate à obesidade e de patrocinar a Academia Americana de Pediatria.