A epidemia de cólera está a alastrar-se em Tete, centro de Moçambique, atingindo agora, além da cidade capital e Moatize, também o distrito de Mutarara, onde duas pessoas morreram da doença, elevando para 21 o número de vítimas mortais só nesta província.

O diretor distrital da Saúde em Mutarara disse à Lusa que a doença foi diagnosticada na localidade de Sinjale, distrito de Mutarara, onde até terça-feira estavam internadas 37 pessoas com diarreias agudas, alargando a área de expansão da doença, num momento em que as autoridades moçambicanas declararam alerta máximo em todo o país.

Segundo António Catemene, o surto de cólera em Mutarara já provocou dois mortos e atinge 68 pessoas, a primeira dos quais surgiu a 15 quilómetros de Sinjale, num povoado onde se pratica o garimpo e vivem mais de duas mil pessoas de diferentes nacionalidades sem observar as mínimas condições de higiene.

Face a esta situação, ainda segundo Catemene, foi ativado um centro de tratamento de cólera em Sinjale e técnicos de saúde estavam hoje a caminho da região para reforçar o pessoal local.

«Estamos muito preocupados com a zona de Sinjale, visto que as condições de saneamento do meio são precárias e tememos que rapidamente o surto se alastre por toda a zona», explicou Catemene, acrescentando que as medidas preventivas já estão a ser tomadas também em Nhamayabue, sede distrital de Mutarara, onde já se preparou uma tenda para receber possíveis casos novos.

Com a eclosão do surto de cólera em Mutarara sobe para 21 o número de óbitos na província de Tete, num total de 1.340 casos detetados neste distrito e também em Moatize e na cidade de Tete.

O Ministério da Saúde anunciou na terça-feira o alerta máximo para Moçambique devido ao surto de cólera, que tinha matado até então pelo menos 28 pessoas, a maioria em Tete, e atingiu mais de 2.400 nas províncias do centro e do norte do país.

«Estamos em alerta máximo e a situação é muito complexa. Só em Tete, em média, as unidades sanitárias atendem 70 a 75 pessoas com cólera por dia», afirmou à Lusa a diretora-adjunta de Saúde Pública, Benigna Matsinhe.