Quarentões a ser alojados em albergues para crianças. A questão tem sido levantada e debatida na Suécia e foi fortemente evidenciada pelas recentes declarações de um pediatra, Josef Milerad, ao tablóide Expressen.

Claro que há apenas alguns casos, mas esses têm sem dúvida entre 30 e 40 anos", afirmou o médico que, após consultas a refugiados, acha que 40% dos que estão registados como menores têm entre os 20 e os 25 anos.

No ano passado, vários municípios suecos reportaram suspeitas de estarem a ser alojados refugiados adultos nos albergues destinados a crianças, aproveitando-se também de maiores facilidades ao nível da imigração dadas aos menores.

As crianças refugiadas adolescentes são no fim quem paga o preço por isso. Os recursos que lhes estão destinados, são aproveitados por outros de um escalão etário mais velho", é a opinião do pediatra Milerad.

Exames aos dentes e joelhos

Com o debate instalado na opinião pública sueca, a situação teve um desenlace esta sexta-feira, com as autoridades de imigração a anunciarem um novo método de rastreio.

Até agora, quando chegam ao país refugiados sózinhos e sem documentos de identificação, as autoridades suecas fazem uma avaliação da sua idade. Em caso de dúvida, se não têm claramente mais de 18 anos, são registados como menores.

No ano passado, 35 mil refugiados sem papéis chegaram à Suécia. De acordo com as autoridades de imigração, há dúvidas sobre a idade de 70% dos que foram registados como menores, dizendo que tinham entre 15 e 17 anos.

A partir do início do próximo ano, serviços médicos deverão ser chamados a avaliar os casos duvidosos. Serão usados dois métodos. A saber, o desenvolvimento dentário através da análise dos dentes do sizo e ressonâncias magnéticas aos joelhos.

Mais de 15 mil exames

Entre 15 mil e 18 mil exames são já necessários, nas contas das autoridades suecas, para separar os falsos menores dos que são ainda efetivamente crianças.

As avaliações médicas são uma parte integrante da medicina forense em muitos países, por isso é natural que os levemos a cabo", sustentou o diretor dos serviços médico-legais suecos, Elias Palm, citado pelo jornal The Local.

A decisão das autoridades suecas promete ainda aumentar o debate sobre a questão dos refugiados que continuam a procurar asilo nos países escandinavos, sendo que os exames deverão, contudo, ser entregues a entidades clínicas independentes.

O governo pretende ter todo o esquema montado em dezembro, com o objetivo de o pôr em prática no primeiro trimestre de 2017.