Quando, num manhã de fevereiro de 2015, Zvika Fayer encontrou duas mil moedas de ouro, na costa mediterrânea de Israel, não sabia a importância do achado para a história da região. Os resultados das primeiras análises ao achado histórico foram agora divulgados. 

Na altura, Zvika Fayer e os colegas de mergulho tiveram de enfrentar o ceticismo e a desconfiança da Autoridades de Antiguidades de Israel (IAA, da sigla em inglês), que, preocupados com os roubos de antiguidades na região, os repreenderam.

Levámos um banho de água fria. Gritavam connosco e a perguntavam porque tirámos as moedas do mar. Demos as nossas explicações, que estava prevista chegar uma tempestade com ondas com 10 metros de altura. Dissemos-lhe que, se não tivéssemos levado as moedas naquela hora, talvez nunca as encontrássemos novamente", contou Zvika à BBC. 

Ultrapassados esses primeiros obstáculos, e já num trabalho conjunto com a IAA, Fayer voltou ao mar e recolheu mais moedas. fizeram ainda novas incursões e recuperaram ainda mais moedas. Até agora, mais de 2 mil moedas foram encontradas. Têm uma pureza de 95% e 24 quilates de ouro em bom estado de preservação mesmo após cerca de mil anos nas água do Mediterrâneo.

Por isso, é possível agora recolher nelas elementos importantes sobre capítulos esquecidos da história de Cesareia, uma antiga cidade e porto marítimo, localizada na costa mediterrânea de Israel, entre Tel Aviv e Haifa. Foi construída por Herodes, o Grande, e, conta com um passado histórico notável.

Hoje em dia, é uma cidade moderna e um dos locais turísticos mais procurados em Israel. Tem um parque arqueológico, museus, galerias de arte, clubes e hotéis modernos, bem como campos de golfe nas proximidades.

A descoberta das moedas veio mudar a visão dos historiadores sobre a prosperidade económica que a região teve no ano 1000. 

Antes de descobrir as moedas, não tínhamos ideia de que a comunidade de Cesareia na época era tão grande ou tão rica. Isso mudou o que pensávamos sobre aquele período", disse Jakob Sharvit, diretor da Unidade de Arqueologia Marinha, da Autoridades de Antiguidades de Israel.

As datas estampadas nas moedas são reveladoras, já que, segundo analisaram os estudiosos, remontam ao período dos califados de Al-Hakim (996-1021 d.C.) e seu filho Al-Zahir (1021-1036 d.C.), quando Cesareia fazia parte do califado Fatímida.

Uma das informações mais importantes que o achado traz prende-se com a circulação de moeda na época. As moedas foram cunhadas nas cidades de Cairo, no Egito, e Palermo, Itália, o que prova que elas circulavam no império inteiro.

As moedas apresentam, ainda, marcas pessoais, nomeadamente de dentes, uma prática que, segundo os especialistas, servia para testar se algo era ouro verdadeiro ou falso. "Essas moedas valiam muito dinheiro para as pessoas que moravam aqui", garantiu Sharvit.