O número um da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, anunciou esta quarta-feira a criação de mais um ramo desta rede extremista sunita no subcontinente indiano.

Desde que foi criada por Ossama bin Laden, a Al-Qaeda disseminou-se pelo mundo. As suas principais componentes são a Frente al-Nosra, a Al-Qaeda do Magrebe Islâmico (AQMI), os shebab somalis e a Al-Qaeda da Península Arábica (AQPA).

O novo ramo, hoje anunciado, já ativo no Afeganistão e Paquistão, junta combatentes sob a autoridade do paquistanês Assim Oumar, por sua vez subordinado ao chefe dos talibãs afegãos, Mullah Mohammed Omar. O seu objetivo é o de criar um califado (território sob a autoridade de um califa, um sucessor do profeta muçulmano Maomé) na Birmânia, no Bangladesh e em certas partes da Índia.

A Frente al-Nosra (Jabhat al-Nosra, em árabe), criada em 2011, é a representante oficial da Al-Qaeda na Síria, onde combate as tropas do regime do Presidente Bashar al-Assad.

Dirigida por Mohammad al-Jolani, combate também as forças do Estado Islâmico, que proclamou um califado em partes da Síria e do Iraque.

Em agosto, libertou o norte-americano Peter Theo Curtis, que esteve refém durante 22 meses. A Frente al-Nosra solicitou a sua exclusão da lista de organizações consideradas terroristas, estabelecida pela Organização das Nações Unidas, em troca da libertação de 40 capacetes azuis, das Fidji, que raptou nos Montes Golã.

A AQMI radica no argelino Grupo Salafista para a Oração e o Combate. Fundada em janeiro de 2007, a AQMI opera sobretudo no Sahel, designadamente na Mauritânia, no Mali e Niger, tendo já feito vários ataques e raptado ocidentais.

A par dos grupos malianos Mujao e Ansar Dine, ocupou o norte do Mali durante vários meses em 2012, até serem desalojados por militares franceses e africanos, que fizeram uma operação conjunta a partir de janeiro de 2013.

Na Somália, os shebab (jovens, em Árabe) saíram de uma insurreição contra os militares etíopes, que entraram no país em 2006, com o apoio dos EUA, para derrubar a União dos Tribunais Islâmicos, que controlava então Mogadíscio.

Os shebab foram expulsos dos seus bastiões no centro e sul do país, depois de terem sido afastados da capital, em 2011, pela força da União Africana, que apoiava as tropas governamentais. Mas continuam a controlar vastas áreas rurais. Em setembro de 2013 reivindicaram o ataque ao centro comercial Westgate de Nairobi, que causou pelo menos 67 mortos.

Por fim, a AQPA resultou da fusão em 2009 dos ramos iemenita e saudita da Al-Qaeda. Muito ativa no Iémen, a AQPA aproveitou o enfraquecimento do poder central em 2011, no seguimento da insurreição popular contra o antigo Presidente, Ali Abdallah Saleh, para reforçar a sua implantação. A AQPA atingiu o seu máximo sob a direção de Anwar al-Aulaqi, um imã radical iemenita, nascido nos EUA, morto por um avião não tripulado da CIA em 2011. Os EUA suspeitavam que Aulaqi tinha ligações com o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, autor de um atentado falhado contra um avião comercial norte-americano, em 25 de dezembro de 2009.