Laurent Léger é jornalista do «Charlie Hebdo». Estava, esta quarta-feira, na reunião semanal do jornal, quando os dois terroristas entraram na redação e abriram fogo. Num depoimento à «France Info», Léger conta o que aconteceu.
 

«Foi no fim da reunião de redação, que temos todas as quartas-feiras de manhã. De repente, ouvimos alguns estoiros e não percebemos exatamente o que estava a acontecer. Depois, a porta abriu-se e entrou um tipo a gritar 'Allah akbar'. (…) Ele tinha uma arma, que segurou com as duas mãos. Atirou e, depois, foi só o cheiro a pólvora», relata.
 

«Ainda me questiono como escapei», continua Laurent Léger.

 
O jornalista conta que se escondeu debaixo de uma mesa, a um canto. «Percebi que não era uma piada», disse.
 
«No início, não percebi. Somos muito brincalhões no Charlie (...) podemos pensar que é alguém que nos está a pregar uma partida. E depois, não era nada disso. Foi a barbárie que entrou no jornal», resumiu.
 

«Alguns segundos e estavam todos no chão», acrescentou.

 
Léger conta ainda que, ao contrário do que foi noticiado, os terroristas não nomearam especificamente nenhum jornalista antes de disparar. «Dispararam contra a multidão, apenas (...). A determinado momento, disseram o nome de Charb. Acho que eles estavam à procura dele. Mas, de qualquer maneira, dispararam ao redor da mesa e foi tão rápido. Alguns segundos e estavam todos no chão», continuou.
 
De acordo com as declarações reproduzidas pelo jornal «Le Monde», Laurent Léger conta que ouviu um homem dizer a um colega que não iria matar mulheres, mas foi numa altura em que uma das jornalistas já estava caída debaixo da mesa.
 
Lembra ainda o «som das explosões» e, de repente, «o silêncio, um longo silêncio», para depois ouvir passos e perceber que um dos terroristas tinha voltado a entrar na sala, mas saiu sem voltar a disparar.
 
Quando percebeu que os terroristas tinham deixado o edifício, Léger saiu debaixo da mesa e deparou-se com um cenário de terror: «Havia poucos sobreviventes e a aberração era irreal».