“Eu fiz metade de Manhattan a correr, mas o que vivi no Bataclan foi 1.000 vezes pior”.


Um homem de 36 anos, que em 2001 estava perto de uma das torres gémeas em Nova Iorque quando estas foram destruídas por um ataque terrorista, sobreviveu ao atentado no Bataclan, em Paris, onde terroristas do Estado Islâmico mataram 89 pessoas.

Em 2001, o norte-americano, identificado pelo jornal Le Monde apenas como Matthew, seguia a pé para um reunião e estava a passar perto da Torre Sul quando o primeiro avião embateu no World Trade Center. Começou a correr imediatamente, fez “metade de Manhattan a correr”, e escapou ileso. A mesma sorte não teve no passado dia 13, em Paris, onde esteve bem perto da morte.

Foi atingido por um dos disparos dos terroristas no tornozelo, durante o concerto dos Eagles of Death Metal, mas conseguiu escapar para fora do recinto, onde foi ajudado pelo jornalista do Le Monde, Daniel Psenny.

Matthew contou que reconheceu o som dos tiros “instantaneamente”, e correu em direção a uma das saídas de emergência, mas acabou atingido no tornozelo e caiu. Já no chão, conseguiu arrastar-se para fora do recinto, aproveitando cada vez que os terroristas paravam para recarregar as armas.

“Avancei centímetro a centímetro. A certa altura vi a alavanca da saída ao alcance do meu braço. Consegui agarrá-la com um dedo, depois com o outro.

 
Já na rua foi ajudado pelo jornalista do Le Monde que saiu de casa para ajudar as vítimas do ataque, que Psenny pensava ter terminado. Quando Matthew sentiu alguém puxá-lo pelos braços, não teve a certeza que estava a ser ajudado, então fingiu estar morto.

“Fingi que estava morto. Quando senti alguém a arrastar-me pelos braços, nem olhei para cima. Eu disse, ou pelo menos disse para mim ‘adoro-te meu anjo’”.

Mas o ataque não tinha terminado, e quando Psenny, com ajuda de outro homem, conseguiu chegar à porta do seu prédio, um dos terroristas disparou na sua direção, atingindo-o num braço.

“Senti algo quente a escorrer sobre mim, depois ouvi asneiras e, novamente, mais tiros”, acrescentou Matthew.


Ainda assim, conseguiram entrar em casa, e com a ajuda de vizinhos e um médico - que lhe deu indicações por telefone - foram tentando estancar o sangue dos ferimentos de ambos. O jornalista do Le Monde conta que nunca perderam a consciência.

“Não parávamos de sangrar. O Matthew estava muito pálido e a vomitar, mas nunca perdemos a consciência”, contou jornal francês.

Já no hospital, acabariam por ser tratados a apenas três quartos de distância, e prometeram beber “um copo juntos, ou até uma garrafa”, quando estivessem completamente recuperados.