A Interpol, organização de polícia criminal internacional, exortou esta quinta-feira os governos a não baixarem a guarda face ao terrorismo no actual contexto de crise económica e advertiu para o risco de ocorrerem atentados de grandes dimensões, escreve a Lusa.

Numa carta aberta, o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, destaca que o principal problema para a segurança é a «mobilidade terrorista».

Reforço da cooperação

Isto pode ser «facilmente remediado» à escala nacional e com um reforço da cooperação internacional através da Interpol, afirma Noble na sua missiva, publicada no aniversário do atentado à bomba no World Trade Center de Nova Iorque de 1993, em que morreram seis pessoas e mais de um milhar sofreu ferimentos.

«Numa altura em que o mundo se centra na crise económica global, exortaria os nossos líderes a não esquecerem os elementos que permitiram o primeiro ataque contra o World Trade Center» e a terem em conta as advertências da Comissão para a Prevenção da Proliferação e o Terrorismo dos Estados Unidos, salienta.

Recorda que, no seu relatório de Dezembro, este organismo advertia para a possibilidade de novos ataques da al-Qaeda e aludia a indícios sobre a eventual utilização de armas nucleares ou biológicas.

Colmatar os vazios de segurança

Segundo Noble, é chegada a altura de dedicar recursos para colmatar os vazios de segurança a fim de prevenir atentados terroristas, em especial porque, no actual contexto de crise económica, se estes ocorressem e fossem à escala dos do 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, as suas consequências seriam «desastrosas».

O secretário geral da INTERPOL, com sede na cidade francesa de Lyon, afirma que o perigo representado pela al-Qaeda fora do Iraque ou do Afeganistão é difícil de combater com meios militares.

Defende, por isso, que o combate ao terrorismo tenha o mesmo nível de recursos, atenção e reforço da cooperação internacional do que é disponibilizado no âmbito militar.