Os Estados Unidos anunciaram esta terça-feira que vão pela primeira vez autorizar a exportação de aeronaves não pilotadas armadas para alguns países aliados, no âmbito da luta global contra o terrorismo.

«Esta nova política rege a venda, a transferência e a utilização na esfera internacional de sistemas aeronáuticos militares sem piloto de origem norte-americana», anunciou o departamento de Estado num relatório hoje divulgado e intitulado «Política de exportação dos Estados Unidos para sistemas aeronáuticos militares sem piloto», isto é, "drones" armados.

A diplomacia norte-americana sublinha que «os Estados Unidos são os líderes tecnológicos mundiais em matéria de desenvolvimento e utilização» desses "drones".

«Outras nações começam a utilizar de maneira mais regular "drones" militares e o mercado comercial dos "drones" está a emergir», prossegue o departamento de Estado.

«Contudo, os Estados Unidos têm por responsabilidade garantir que as vendas, as transferências e utilizações internacionais de "drones" de origem norte-americana correspondem aos interesses da segurança nacional norte-americana e aos de política externa», explica ainda o Governo.

Estas exportações de «sistemas sensíveis será feita através de um programa de vendas [de equipamentos] militares de Governo para Governo», segundo o departamento de Estado, que não cita qualquer dos países que serão clientes.

O diário Washington Post, o primeiro a revelar hoje esta grande alteração na política de venda de armas dos Estados Unidos, sublinha que países aliados como a Itália, a Turquia e as monarquias do Golfo estarão muito interessados.

De acordo com um responsável norte-americano citado pelo jornal, Washington já vendeu "drones" armados ao seu aliado mais próximo, o Reino Unido.

Quanto aos "drones" não armados, que servem para operações de vigilância dos serviços secretos, já foram vendidos a aliados da NATO (Organização do Tratado Atlântico Norte, na denominação em português), como França e Itália, indica o Washington Post.

A utilização de "drones"’ armados constitui uma pedra angular da luta global contra o terrorismo levada a cabo pela administração do Presidente Barack Obama, nomeadamente em operações realizadas em países como Afeganistão, Paquistão, Somália, Síria, Iraque e Iémen.