Jornalistas de todo o mundo lançaram, terça-feira, uma campanha nas redes sociais,e não só, pela libertação dos quatro jornalistas da Al Jazeera detidos no Egito.

A campanha intitulada «FreeAJStaff», exige o fim da «perseguição» do governo egípcio contra os jornalistas e lembra: «Primeiro vieram buscá-los a eles, amanhã virão buscar-nos a todos nós», escreve o «Buzz feed».

Recorde-se que 20 jornalistas, entre os quais quatro jornalistas estrangeiros, estão acusados de terrorismo, desde 29 de dezembro. Os seus nomes ainda não foram revelados oficialmente pelas autoridades, mas entre os jornalistas que já foram detidos acredita-se que estão: Mohamed Fadel Fahmy, com nacionalidade canadiana e egipcia; o australiano Peter Greste e o egípcio Baher Mohamed.

Alguns dos nomes na lista dos profissionais a serem julgados conseguiram sair do país antes de serem detidos. Rena Netjes, uma correspondente holandesa no Cairo, abandonou o país esta semana.

As autoridades, com o apoio do Governo, alegam que os jornalistas conspiraram com «terroristas» para «fabricarem» notícias sobre «uma guerra civil» no Egito, danificando a imagem do país, e também ajudaram a gerir uma célula terrorista a partir do Hotel Marriott, no Cairo.

«Esta tentativa de criminalizar trabalho jornalístico legal é o que distorce a imagem do egito no estrangeiro», escreveu o Comité de Proteção dos Jornalistas num comunicado.

Durante o fim de semana a cadeia noticiosa Tahrir News Network divulgou imagens da detenção e interrogatório, no Hotal Marriott, à equipa da Al Jazeera. Nas imagens não há nenhum advogado presente.



No Egito, os profissionais da comunicação temem que estas acusações e detenções sejam só o início.

Foi, entretanto, divulgado outro vídeo onde, alegadamente, um polícia ameaça um correspondente da MBC Misr TV para «parar de filmar» as autoridades que estavam na frente de uma manifestação da Irmandade Muçulmana, dizendo que «ia anunciar que eram da Al Jazeera e autorizar que fossem atacados» se eles não saíssem dali.