Dois irmãos britânicos foram presos por frequentarem um campo de treino de terrorismo, na Síria, tendo sido apanhados depois de tirarem fotografias com os telemóveis. Mohommod Nawaz ficará preso durante quatro anos e meio e o irmão mais novo, Hamza Nawaz, ficará três anos na prisão. As sentenças foram proferidas na quarta-feira, no Tribunal de Old Bailey, em Londres.
 
Os irmãos trouxeram balas e tiraram fotografias com os telemóveis para se relembrarem da temporada passada no acampamento jihadista. Mais tarde foram encontrados pela polícia e as fotografias serviram como prova.
 
As fotografias mostram a programação diária rigorosa no acampamento, incluindo duas sessões de «treino militar» e duas sessões de «lições islâmicas». O dia no acampamento começa às 4h30 com orações, seguidas de treino físico das seis às oito.


 
Os irmãos só regressaram a Londres porque Mohommod estava a sentir a falta da namorada, que tinha aceitado o pedido de casamento enquanto o namorado estava fora.
 
O tribunal ouviu os irmãos, que viviam juntos em Stratford, em Londres. A polícia descobriu que os irmãos tinham viajado para Lyon, pelo canal da Mancha, e de lá seguiram para Istambul e depois para o sul da Turquia, perto da área rebelde da Síria. As fotografias dos telemóveis mostram sinais de trânsito que provam que os irmãos atravessaram a Síria, onde Mohommod foi fotografado com uma AK-47.
 
O local exato onde os dois irmãos tiraram as fotografias num campo de treino foi identificado por especialistas da RAF, utilizando uma tecnologia de mapeamento por satélite. A análise foi capaz de identificar a área em que o acampamento foi estabelecido, por meio da comparação de fotografias tiradas pelos jihadistas com imagens de satélite.
 
Os irmãos não contaram à família que iam embora e alguns membros da família disseram que acreditavam que os irmãos tinham ido para a Escócia para fazerem caridade.
 
Hamza Nawaz, mais tarde, enviou uma mensagem, pelo whatsapp, ao irmão Hussain e a alguns amigos, que dizia: «Viemos para a Síria. Sabemos que vão ficar todos zangados com o que fizemos, mas é algo que queríamos fazer. Em breve entro em contato.»
 
Uma das mensagens mostrava que Mohommod prometeu à namorada que voltaria se ela concordasse em casar. Outras mensagens deixaram claro que não tinham contado aos pais e estavam preocupados com a reação deles.
 

«Diga à mãe para não se preocupar. Estamos na Síria. Diga-lhe que estamos bem e para não se preocupar, estamos em boas mãos. Rezem por nós. Sabíamos que nunca nos autorizariam, por isso é que foi assim», enviou Hamza, a 28 de agosto.

 
A 29 de agosto, Hamza enviou uma mensagem a um amigo, provavelmente referindo-se às origens da família no Paquistão: «Salaam (Olá), estamos nas montanhas, é exatamente como voltar a casa». Dois dias depois, a família enviou-lhe uma mensagem alertando-o: «O Ocidente vai bombardear a Síria, saiam daí».
 
Os homens foram detidos quando regressavam num carro para Dover de Calais, na madrugada de 16 de Setembro.
 

«O treino foi feito para, provavelmente, levar a outras coisas. Estes são jovens muito comprometidos com a causa», afirmou Mark Topping, advogado de acusação, ao Daily Mail.

 
A procuradora Kate Wilkinson disse que a dupla tinha ido para a Síria para «aumentar a sua posição» com os colegas de volta para casa, por isso que trouxeram troféus e fotografias para o Reino Unido.
 
Os dois homens declararam-se culpados das acusações feitas em maio, mas houve um atraso na condenação enquanto se aguardava a sentença do Tribunal de Recurso.
 

«Vocês estavam em formação, estavam lá para apoiar a luta dos rebeldes na Síria. Para ser justo não há nenhumas provas de que realmente combateram», afirmou o juiz Christopher Moss QC ao proferir a sentença.

 
O juiz também deixou claro que a sentença refletia o fato de não haver nenhuma prova de que os irmãos estavam a planear ataques no Reino Unido, tendo apenas intenção de combater na Síria.
 

«A primeira de uma série de sentenças foi hoje decretada a dois irmãos que viajaram para a Síria para ingressarem num acampamento de treino terrorista», disse Terri Nicholson, da Met Police Counter Terrorism Acting Commander.