Os irmãos trouxeram balas e tiraram fotografias com os telemóveis para se relembrarem da temporada passada no acampamento jihadista. Mais tarde foram encontrados pela polícia e as fotografias serviram como prova.

 

As fotografias mostram a programação diária rigorosa no acampamento, incluindo duas sessões de «treino militar» e duas sessões de «lições islâmicas». O dia no acampamento começa às 4h30 com orações, seguidas de treino físico das seis às oito.

 

Os irmãos só regressaram a Londres porque Mohommod estava a sentir a falta da namorada, que tinha aceitado o pedido de casamento enquanto o namorado estava fora.

 

O tribunal ouviu os irmãos, que viviam juntos em Stratford, em Londres. A polícia descobriu que os irmãos tinham viajado para Lyon, pelo canal da Mancha, e de lá seguiram para Istambul e depois para o sul da Turquia, perto da área rebelde da Síria. As fotografias dos telemóveis mostram sinais de trânsito que provam que os irmãos atravessaram a Síria, onde Mohommod foi fotografado com uma AK-47.

 

O local exato onde os dois irmãos tiraram as fotografias num campo de treino foi identificado por especialistas da RAF, utilizando uma tecnologia de mapeamento por satélite. A análise foi capaz de identificar a área em que o acampamento foi estabelecido, por meio da comparação de fotografias tiradas pelos jihadistas com imagens de satélite.

 

Os irmãos não contaram à família que iam embora e alguns membros da família disseram que acreditavam que os irmãos tinham ido para a Escócia para fazerem caridade.

 

Hamza Nawaz, mais tarde, enviou uma mensagem, pelo whatsapp, ao irmão Hussain e a alguns amigos, que dizia: «Viemos para a Síria. Sabemos que vão ficar todos zangados com o que fizemos, mas é algo que queríamos fazer. Em breve entro em contato.»

 

Uma das mensagens mostrava que Mohommod prometeu à namorada que voltaria se ela concordasse em casar. Outras mensagens deixaram claro que não tinham contado aos pais e estavam preocupados com a reação deles.

 

«Diga à mãe para não se preocupar. Estamos na Síria. Diga-lhe que estamos bem e para não se preocupar, estamos em boas mãos. Rezem por nós. Sabíamos que nunca nos autorizariam, por isso é que foi assim», enviou Hamza, a 28 de agosto.

A 29 de agosto, Hamza enviou uma mensagem a um amigo, provavelmente referindo-se às origens da família no Paquistão: «Salaam (Olá), estamos nas montanhas, é exatamente como voltar a casa». Dois dias depois, a família enviou-lhe uma mensagem alertando-o: «O Ocidente vai bombardear a Síria, saiam daí».

 

Os homens foram detidos quando regressavam num carro para Dover de Calais, na madrugada de 16 de Setembro.

 

«O treino foi feito para, provavelmente, levar a outras coisas. Estes são jovens muito comprometidos com a causa», afirmou Mark Topping, advogado de acusação, ao Daily Mail.

A procuradora Kate Wilkinson disse que a dupla tinha ido para a Síria para «aumentar a sua posição» com os colegas de volta para casa, por isso que trouxeram troféus e fotografias para o Reino Unido.

 

Os dois homens declararam-se culpados das acusações feitas em maio, mas houve um atraso na condenação enquanto se aguardava a sentença do Tribunal de Recurso.

 

«Vocês estavam em formação, estavam lá para apoiar a luta dos rebeldes na Síria. Para ser justo não há nenhumas provas de que realmente combateram», afirmou o juiz Christopher Moss QC ao proferir a sentença.

O juiz também deixou claro que a sentença refletia o fato de não haver nenhuma prova de que os irmãos estavam a planear ataques no Reino Unido, tendo apenas intenção de combater na Síria.

 

«A primeira de uma série de sentenças foi hoje decretada a dois irmãos que viajaram para a Síria para ingressarem num acampamento de treino terrorista», disse Terri Nicholson, da Met Police Counter Terrorism Acting Commander.