As autoridades francesas detiveram cinco pessoas depois de a polícia ter encontrado no fim de semana o que parecia ser uma bomba pronta a ser detonada num apartamento de um dos bairros mais chiques de Paris. Um dos detidos estava sinalizado pelas autoridades por radicalização, disse esta terça-feira o ministro do Interior, Gérard Collomb. 

Entre as pessoas que foram detidas, um estava sinalizado no ficheiro FSPRT [Ficheiro das sinalizações para a prevenção da radicalização de carácter terrorista], o que quer dizer radicalizado", afirmou o governante em entrevista à rádio France Inter.
 

Ainda estamos em estado de guerra", acrescentou o ministro, que falava também depois de, no domingo, um homem ter esfaqueado mortalmente duas jovens em Marselha, num ataque reivindicado pelo Estado Islâmico.

 

Na noite de sexta-feira para sábado foram encontradas quatro botijas de gás prontas a explodir num edifício no 16º bairro da capital francesa, onde estão localizadas algumas embaixadas e considerado uma zona de classe alta.

De acordo com o semanário Le Point, que cita a polícia parisiense, um morador alertou as autoridades para atividade suspeita na madrugada de sábado, por volta das 4:30, no prédio situado nº 31 da rua Chanez.

Uma equipa de minas e armadilhas encontrou e desativou o dispositivo.

Evitámos o pior por pouco", afirmou ao Le Point uma fonte próxima da investigação.

Fontes judiciais, citadas pelo jornal Le Figaro, revelam que o engenho explosivo incluía várias botijas de gás “abertas, regadas com gasolina e ligadas a um detonador controlado por um telemóvel”, que estava em perfeito estado de funcionamento.

Para já, ainda não é claro por que razão o dispositivo foi colocado naquele prédio, uma vez que não havia nenhum alvo evidente a viver ali.

De acordo com a nossa informação, "nenhuma personalidade sensível reside neste edifício aparentemente silencioso", numa rua calma e pouco frequentada em Paris, referem as mesmas fontes judiciais.

Nesta fase das investigações, escreve o Le Figaro, as autoridades acreditam que os terroristas visavam originalmente "um militante de uma associação contra o islamismo radical". Os suspeitos ter-se-ão enganado no alvo, visando um profissional liberal com o mesmo nome.

Os cinco suspeitos estão agora sob custódia policial e os procuradores contra terrorismo abriram uma investigação. 

O anúncio das detenções acontece no mesmo dia em que a Assembleia Nacional de França aprovou por ampla maioria a polémica nova lei antiterrorista, criticada por limitar as liberdades civis ao incorporar na legislação medidas excecionais até aqui limitadas à vigência do estado de emergência.