Pouco mais de um quarto de século passou desde o derrube do Muro de Berlim, em 1989. Agora, os alemães voltam a experimentar um dos condicionalismos da então chamada Guerra Fria: deverão armazenar água e víveres suficientes para sobreviver durante alguns dias, em caso de ataque ou catástrofe.

A decisão do governo alemão poderá ser formalmente anunciada na quarta-feira, após o debate da ideia numa comissão criada sob a alçada do Ministério do Interior.

Um porta-voz do ministério não se alonga em pormenores, mas a edição dominical do jornal Frankfurter Allgemeine anuncia que passará a haver o dever de guardar água para sobreviver durante cinco dias. E alimentos para o dobro do tempo.

A população será obrigada a ter uma provisão individual de comida para dez dias”, refere o documento Conceito de Defesa Civil, da autoria do Ministério alemão do Interior, segundo o jornal de Frankfurt.

Todos os cuidados…

A Alemanha mantém-se em estado elevado de alerta, devido a ataques recentes levados a cabo por prováveis radicais islâmicos e também o de um atirador que abriu fogo num centro comercial na cidade de Munique, fazendo dez mortos e quase três dezenas de feridos.

No início deste mês, o governo alemão anunciou tencionar investir mais nas suas forças policiais e criar uma unidade especial de combate ao cybercrime e ao terrorismo.

De acordo com o jornal, o plano de estratégia de defesa civil terá sido desenhado por uma comissão parlamentar em 2012.

O relatório de 69 páginas não equaciona um possível ataque em território germânico, mas advoga medidas de precaução a tomar pela população.

Preparar-se adequadamente para desenvolvimentos que possam ameaçar a nossa existência e não podem ser categoricamente descartados no futuro”, é um dos alerta do relatório, segundo o Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung.

O documento menciona também a necessidade de melhorar os sistemas de alarme, de proteção a edifícios e mesmo do sistema de saúde alemão. Chega mesmo ao ponto de recomendar a ideia de mais apoio das forças armadas alemãs por parte de civis.