O Papa repreendeu, esta quinta-feira, os casais que não querem ter  filhos, classificando essa decisão como «egoísta». Francisco falava na Praça de São Pedro, em Itália, lembrando como bom exemplo a própria mãe, que teve cinco filhos. «A vida rejuvenesce e adquire energia quando se multiplica», defendeu.

«Uma sociedade com uma geração gananciosa, que não quer envolver-se com crianças, que as considera, acima de tudo, preocupantes, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida», começou por dizer. Depois, tocou diretamente na ferida:

«A opção de não ter filhos é egoísta. A vida rejuvenesce e adquire energia quando se multiplica. Fica enriquecida, não empobrece»


Esta declaração, que é citada pelo «The Guardian» está a ser recebida com controvérsia, em Itália,uma vez que as estatísticas dão conta de uma redução crescente da taxa de natalidade naquele país.

Ao mesmo tempo, surge dias depois de o Sumo Pontífice ter dito dar uma palmada a uma criança era uma forma aceitável de disciplina, sendo que, depois, o Vaticano esclareceu que o Papa não quis, com isso, incitar à violência ou crueldade contra os mais pequenos. Também recentemente, Francisco tinha afirmado que os católicos não precisam de procriar como «coelhos».  

Hoje, o seu discurso foi mais em sentido contrário. Para fundamentar a sua opinião, o Papa recordou a própria mãe, que teve cinco filhos. Quando alguém alguma vez lhe perguntou qual era o preferido, ela dizia: «’Eu tenho cinco filhos como tenho cinco dedos. Se um deles se aleijar, todos os cinco ficam magoados. Todos os meus filhos são meus, mas cada um é diferente’», citou o Papa.

Os filhos são amados, defendeu, porque são crianças, não por serem «bonitos, saudáveis ou bons» ou porque pensam como os pais ou se tornam naquilo que eles desejam. «A criança é uma criança: vida criada por nós, mas destinada a ela».

«A alegria das crianças faz com que corações dos pais palpitem e abre portas para o futuro». «As crianças não são um problema da biologia reprodutiva, ou uma das muitas maneiras de realização, na vida. Muito menos são posse dos seus pais. As crianças são um presente. Entendem? Os filhos são uma dádiva»

 O Papa defendeu, por isso, que existe uma correlação entre a esperança  de uma sociedade e a «harmonia inter-geracional». O Sumo Pontífice é um dos candidatos ao prémio Nobel da Paz deste ano.