Foi a própria Telma Garcia, a jovem médica detida no Rio de Janeiro por tentativa de assassinato do marido, que confessou às autoridades o envolvimento no crime, ocorrido na Suíça.

Procurada pela Interpol, a portuguesa declarou à polícia que foi o amante brasileiro, Max, que deu uma facada no marido.

Max também está preso por suspeitas de envolvimento no crime.

No dia em que foi detida, Telma Garcia tinha sido violentamente espancada pelo amante. Fugiu de casa e, numa das ruas de Belford Roxo, pediu ajuda a uma viatura da polícia.

Foi no percurso para a 54ª Delegacia da Polícia, onde ia formalizar a queixa de violência doméstica, que Telma se confessou às autoridades.

«Disse que tinha uma coisa para contar. E aí disse que tinha estado envolvida num crime na Suíça, a 23 de abril», conta à tvi24 um dos inspetores que tratou do caso.

Já na esquadra, a revelação de Telma não só foi confirmada como ganhou novos contornos. Os agentes verificaram a existência do mandado de captura da Interpol, a pedido das autoridades suíças. Assassinato, assalto e roubo eram as acusações.

Mas na história que a médica contou, o protagonista e autor do crime é Max, que tinha ido com ela para a Europa e que, alegadamente, a convenceu a fugir para o Rio de Janeiro.

Telma contou tudo às autoridades: o casamento infeliz, as viagens em que conheceu o amante e, claro, o crime.

O crime e a fuga

Estávamos a 23 de abril, na Suíça. Telma vivia com o marido mas, segundo a médica, o casal discutia muito e ele agredia-a. Max era o amante, com quem mantinha uma relação extraconjugal.

Nessa quarta-feira, a jovem diz que tanto ela como Max tinham bebido mas que foi o amante que se excedeu. Max ter-se-á envolvido numa luta corporal com o marido da portuguesa e acabou por lhe dar uma facada. Telma terá assistido a tudo.

Os dois fugiram do local e depois da Suíça, comprando viagens para o Brasil. Na versão da médica, a ideia foi do brasileiro.

Quando Telma foi detida, os amantes estavam há dois meses e meio foragidos no Rio de Janeiro.

Como tudo começou

Segundo a portuguesa, depois de uma das muitas discussões com o marido, em Dezembro de 2013, Telma decidiu ir passar a véspera de ano novo no Rio de Janeiro e, mais tarde, o carnaval.

Foi nestas viagens que conheceu Max, o brasileiro que se tornou amante e, posteriormente, cúmplice do crime.

Passado o carnaval, em fevereiro, Telma não voltou para a Suíça sozinha. Max foi com ela.

Depois da detenção



Depois do pedido de ajuda de Telma, as autoridades brasileiras foram à casa que a portuguesa partilhava com o brasileiro e prendeu Max em flagrante delito.



Max foi inicialmente indiciado por violência doméstica mas, agora, também enfrenta as suspeitas de envolvimento no crime, na Suíça. Até à data, o brasileiro não confessou.



A detenção de Telma foi comunicada à Polícia Federal que constatou a existência de um mandado de prisão emitido pelo Supremo Tribunal Federal com a finalidade de extradição.

De acordo com o que a tvi24 apurou junto do Supremo Tribunal Federal, o mandado de prisão foi emitido pelo ministro Ricardo Lewandowski a 18 de julho.



A justiça brasileira aguarda que as autoridades suíças enviem os documentos necessários para que o caso seja analisado.

Se os juízes considerarem que o caso reúne os requisitos para a extradição, Telma voltará à Suíça, onde será julgada.



O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, garantiu à tvi24 que o consulado português no Rio de Janeiro está a par dos acontecimentos.



«O consulado está a par dos acontecimentos. Não posso dizer o que fez ou o que não fez mas está a par das ocorrências», declarou.

Telma Garcia está agora no estabelecimento prisional de Gericinó, onde aguarda o desenvolvimento do processo.