A Europa acordou com uma notícia que abalou a União dos 28 (ou 27) e que trará consequências para a economia britânica: os britânicos escolheram seguir caminho sozinhos. A indústria televisiva e cinematográfica do Reino Unido é das que mais produz conteúdos em todo o mundo, mas agora a sua produtividade poderá abrandar. O site Variety avança com sete consequências para a sétima arte e produção televisiva em terras de “sua majestade”.

A primeira razão prende-se com o fim do financiamento europeu aos programas produzidos pelos media, o Fundo Europeu para Cinema, Televisão e Media Digitais (Media Program). Haverá um corte significativo no financiamento do cinema, em particular para os projetos de ensino, desenvolvimento de projetos, coprodução, festivais e distribuição.

A indústria cinematográfica e televisiva britânica deverá ressentir-se com a ausência de apoios financeiros europeus (IMAGEM: REUTERS)

Entre 2014 e 2015, o Media Program atribuiu 40 milhões de euros à indústria cinematográfica britânica para a distribuição de 84 filmes em outros países europeus. Outro exemplo é o financiamento do filme vencedor da Palma de Ouro deste ano, o filme “Eu, Daniel Blake”, realizado pelo britânico Ken Loach. O realizador recebeu 172,828 euros para outros três projetos.

Em segundo lugar, sublinha-se a questão das quotas estabelecidas para a emissão de conteúdos europeus em todos os países-membros. Vários programas britânicos, incluindo os que são produzidos por produtoras dos Estados Unidos são considerados conteúdos europeus. No futuro, estes programas não terão mais um caráter universal e poderão atravessar dificuldades para serem incluídos nas grelhas das televisões europeias.

O terceiro alerta vai para o fim do acordo Schengen e a necessidade dos realizadores, elencos e equipas de produção adquirem vistos para trabalharem no Reino Unido. O problema apresenta-se, também, do lado britânico em relação àqueles que querem trabalhar nos países da União Europeia. O mercado da tecnologia audiovisual também poderá atravessar dificuldades com novas taxas aduaneiras e autorizações para a comercialização desses aparelhos.  

As alterações na política e na burocracia relacionadas com a imigração no Reino Unido pode afetar também a indústria cinematográfica (IMAGEM: REUTERS)

O quarto lugar é reservado à saída dos representantes britânicos da mesa de discussão do Mercado Único Digital, que aborda temas como os direitos de autor e o fim do geo-bloqueio em toda a Europa.

Em quinto lugar, há uma consequência positiva, associada à queda do valor da libra em relação ao dólar e ao euro. A longo-prazo será mais barato para Hollywood e para outras produções europeias gravarem os seus programas no Reino Unido. Mas, por outro lado, há más noticias para os distribuidores britânicos: Uma libra fraca levará ao encarecimento dos filmes estrangeiros importados se o negócio for feito em dólares ou euros.

Desvalorização da Libra pode ter consequências positivas e negativas (IMAGEM: REUTERS)

Em sexto, a indústria televisiva e cinematográfica do Reino Unido não será mais vinculada à “política de auxílio” da UE que define os subsídios estatais a atribuir a este mercado. O Governo britânico poderá criar incentivos mais atraentes do que no resto da Europa. Mas tudo está, ainda, no meio especulativo. A Grã-Bretanha levará ainda cerca de dois anos para dizer um “adeus” definitivo à União.

E por fim a sétima consequência, que é também negativa: o período incerto de transação e incerteza. Esta situação, só por si, fará danos na indústria televisiva e cinematográfica, que planeia os seus projetos com anos de antecedência.