O vídeo de uma jovem iraniana a ser atacada pela “polícia moral” em Teerão tornou-se viral nas redes sociais, chegando inclusive ao governo, com o ministro do Interior a ordenar a abertura de um inquérito.

Em poucas horas, o vídeo foi visualizado mais de 2,5 milhões de vezes, contabilizando ainda mais de 26 mil comentários.

O incidente ocorreu na quarta-feira e as imagens foram divulgadas por uma jornalista iraniana residente nos Estados Unidos, Masih Alinejad, um dos rostos do ativismo pelos direitos das mulheres no Irão e contra o uso do hijab, o lenço que cobre a cabeça e o pescoço.

A vítima, de cerca de 20 anos, usava o hijab descaído, com o cabelo à mostra, quando foi abordada por um grupo de mulheres mais velhas, que a insultaram, esbofetearam e atiraram ao chão. Um ataque conduzido perante a passividade de alguns agentes da polícia, que se encontravam no mesmo local.

Deixem-me! Deixem-me!”, grita a jovem, que estava acompanhada por uma amiga que usava “corretamente” um maghnaeh, outro tipo de lenço que cobre o rosto e o pescoço.

No vídeo, a jovem ainda ameaça fazer queixa dos agentes, com um deles a responder: “Não vais conseguir fazer nada.”

Em comunicado, o ministro Abdolreza Rahmani-Fazil considerou o incidente “um comportamento pouco habitual da polícia moral” e uma reação “não convencional” por parte da polícia de Teerão, ainda que tenha insinuado que a vítima provocou os agentes.

O mesmo entendimento não teve a vice-presidente iraniana para os assuntos das mulheres, Masoumeh Ebtekar, que, através do Twitter, questionou o comportamento da “polícia moral”.

Como pode justificar-se este tratamento? Mesmo que tenham sido insultados, deve a polícia comportar-se desta forma? Condeno, categoricamente, este comportamento. Este assunto não será esquecido. Foi um tratamento duro e antirreligioso que nenhum ser humano merece.”