Um total de 13 estudantes de Erasmus de várias nacionalidades morreram hoje de manhã quando o autocarro em que seguiam chocou com um veículo na autoestrada AP-7, junto a Freginals, em Terragona, Espanha, informou a proteção civil do Governo. Há também registo de mais de 40 feridos.

Inicialmente, as autoridades confirmaram 14 vítimas mortais, mas acabaram por corrigir a informação, indicando 13 mortos em resultado do acidente.

O Cônsul-Geral de Portugal em Barcelona, Paulo Teles da Gama, já veio entretanto afirmar à agência Lusa que, "de momento", não há indicação por parte das autoridades da Catalunha da presença de portugueses no acidente de autocarro de Tarragona.

"A indicação que temos das autoridades da Catalunha é que, de momento, não se confirma a presença de portugueses no acidente do autocarro. O que não quer dizer que, no decorrer das próximas horas, e com a evolução dos trabalhos de identificação, não possa surgir essa confirmação", disse Paulo Teles da Gama à Lusa.

O autocarro acidentado em Freginals, pertencente a uma empresa de Mollet del Vallès (Barcelona), transportava mais de 50 estudantes de Erasmus de diversas nacionalidades que regressavam de umas festas em Valência, segundo a Efe.

O veículo pesado sinistrado fazia parte de um grupo de cinco e encontrava-se na cauda do comboio. Os ocupantes dos outros autocarros só se conseguiram inteirar do acidente, ao chegar ao destino.

O acidente aconteceu às 06:00 da manhã locais (05:00 hora de Lisboa), quando o autocarro da empresa Autocares Alejandro, que circulava no sentido Barcelona, perdeu o controlo, atravessou o separador e ficou voltado no sentido sul, colidindo com outro veículo.

Os bombeiros trabalharam com 17 equipas a resgatar as vítimas do interior dos veículos envolvidos, e o transportador terá um outro veículo para transportar as pessoas ilesas para um hotel em Tortosa (Tarragona).

Os testes ao condutor do autocarro que hoje se despistou em Tarragona, Espanha, deram resultados negativos para álcool e droga, segundo o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha.

Em comunicado, o Tribunal indicou que o juiz de instrução em funções, que dirige a investigação sobre o acidente, decidiu ativar o protocolo judicial de grandes catástrofes, dada a quantidade de vítimas.

O ministro do Interior catalão, Jordi Jané, também se deslocou para o local para acompanhar a situação de emergência.

"Estamos chocados. Sabemos que as vítimas são muito jovens e hoje é um dia muito triste", disse Josep Roncero, autarca de Freginals (Tarragona), uma povoação de escassos 400 habitantes, uma das primeiras pessoas a chegar ao local.

A Proteção Civil do Governo, em conjunto com as autoridades locais, está a disponibilizar espaços de atendimento aos ilesos, com ajuda psicológica.

A circulação na AP-7 foi completamente cortada no sentido sul.

Esta colisão é um dos acidentes de trânsito mais graves que ocorreram em Espanha desde 2000, com envolvimento de um autocarro de passageiros. O acidente com o maior número de mortes em Espanha foi a 06 de julho de 2000, quando um autocarro em que viajavam alunos catalães colidiu com um camião de transporte de gado na cidade de Soria Golmayo, provocando vinte mortos e treze feridos graves.

O jornalista, Victor Sorribes divulgou as primeiras imagens do acidente na sua conta de Twitter.

Entretanto, a Proteção Civil da Catalunha também divulgou um contacto telefónico para que se possa obter informações sobre o sinistro.

Catalunha declara dois dias de luto devido ao acidente

O Governo regional da Catalunha declarou hoje dois dias de luto oficial, segunda e terça-feira, por causa do acidente.

"Declaro dois dias de luto e suspendo a minha viagem a Paris", anunciou hoje o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, numa declaração à imprensa.

O máximo responsável da Generalitat acrescentou que, de momento, ainda não há confirmação oficial das identidades das vítimas mortais.

"Ainda não temos confirmada a identidade das vítimas mortais porque viajavam num grupo de cinco autocarros. Ainda não pudemos dar essa informação aos familiares das vítimas, mas esperamos poder fazê-lo nas próximas horas", salientou.

A classe política espanhola foi rápida a dar os pêsames aos familiares das vítimas do acidente.

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, expressou as suas condolências através do Twitter: "Dia de imensa dor pelas vítimas do acidente de autocarro em Tarragona. Carinho para as famílias e amigos dos falecidos".

O presidente do Governo espanhol em funções também colocou uma mensagem na sua conta do Twitter. "Trágico acidente em Freginals. As minhas condolências às famílias das vítimas mortais e desejos de rápida recuperação aos feridos", escreveu.

Entretanto, o ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz, anunciou que também se deslocará ao local do acidente. O responsável da administração interna a nível nacional em Espanha manterá uma reunião com Carles Puigdement no hotel em Tarragona designado pelas autoridades locais como posto de controlo do acidente.

Também a Universidade de Barcelona - onde se supõe que estudavam algumas das vítimas mortais do acidente - se uniu ao luto oficial da Generalitat, colocando as bandeiras a meia-haste.

Não havia portugueses no autocarro

A Direção Geral de Proteção do Governo Regional da Catalunha divulgou, entretanto, uma lista das nacionalidades de todos os estudantes envolvidos no acidente, na qual não consta Portugal.

De acordo com a entidade catalã, no autocarro acidentado (na autoestrada AP-7, junto a Freginals, em Tarragona), viajavam estudantes do Peru, Bulgária, Polónia, Irlanda, Palestina, Japão, Ucrânia, República Checa, Nova Zelândia, Reino Unido, Itália, Hungria, Alemanha, Suécia, Noruega e Suíça.

A maioria destes estudantes, acrescentaram as autoridades locais, eram estudantes, em várias universidades, especialmente da Universidade de Barcelona. Esta lista representa todos os passageiros do autocarro, mas não identifica ainda as nacionalidades das vítimas mortais.