Com graves problemas energéticos, a ilha de Taiwan apresenta também uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo. 

Para grandes males, grandes remédios. Foi o que pensou a deputada Lin Ching-yi, que sugeriu, durante uma sessão parlamentar, que "o melhor seria limitar o uso da eletricidade a partir das dez da noite"

Por um lado, resolveríamos o problema da energia e por outro a baixa natalidade", explicou Lin Ching-yi durante a sessão.

Formada em ginecologia e obstetricia, a deputada explicou que mudar o estilo de vida taiwanês mudaria também o estilo de vida dos cidadãos, porque sem eletricidade as pessoas teriam de sair mais cedo do trabalho e quando chegassem a casa não poderiam ligar a televisão “onde passam sempre os mesmos filmes, transmitidos vezes sem conta e é uma perda de tempo”, esclareceu a deputada. 

A ideia de Lin Ching-yi causou impacto nas redes sociais, porque sem eletricidade, não é possível usar o ar condicionado, que é um dos aparelhos mais utilizados devido ao calor extremo que se faz sentir a maior parte do ano. 

Que grande ideia, Lin Ching-yi é sábia e brilhante e nós os trabalhadores sentimo-nos oprimidos. De agora em diante, nunca mais teremos que trabalhar",  foi um dos comentários deixados pelos utilizadores no Facebook. 

A baixa natalidade é um dos temas que mais preocupa Taiwan, visto a família ser um elo essencial na cultura taiwanesa e onde a taxa de natalidade foi de 8,3 por 1000 habitantes em 2017. 

A principal causa destes números é o fosso entre os direitos dos homens e das mulheres.

Embora as mulheres tenham direito à licença de maternidade por lei, nem todas as empresas a cumprem. Depois de grávidas, apenas 55% das mulheres regressam ao trabalho e muitas delas regrassam apenas ao fim de cinco anos. 

O abastecimento energético é também um problema que afeta a ilha, uma vez que o uso abusivo está a levar a rede ao limite, como explicou a companhia responsável pelo serviço, Taipower.