Os 12 rapazes e o treinador de uma equipa de futebol tailandesa terão andado cerca de dois quilómetros até encontrarem um pedaço de terra seca onde pudessem permanecer a salvo das cheias que inundaram a caverna que decidiram explorar. E foi lá que foram encontrados, dez dias depois de terem desaparecido. 

Quando dois mergulhadores britânicos, que colaboravam com a Marinha da Tailândia nas buscas, os encontrou, as crianças nem queriam acreditar. 

“Obrigado, obrigado”, são as primeiras palavras que se ouvem os rapazes dizerem, antes mesmo de confirmar que estão ali os treze, os mesmos que desapareceram há dez dias.

Depois, a primeira pergunta. Querem saber se vão, finalmente, abandonar a gruta.

“Não é hoje. Não é hoje. Somos só dois. Tem de lhes dizer. Estamos a chegar. Está tudo bem. Estão a chegar muitas pessoas. Nós somos os primeiros”, dizem os mergulhadores.

Os rapazes parecem confusos e tentam saber que dia é. Quando lhes é dito que estão ali há dez dias, a resposta não se faz esperar.

“Temos fome. Não temos comido. Temos de comer”.

Apesar de não terem comida para dar à equipa, os mergulhadores dizem-lhes que, no dia seguinte, a marinha voltará ali com comida e médicos para os ajudar.

“Estamos muito contentes”, dizem os rapazes.

Apesar da alegria dos rapazes, as notícias não são animadoras. O capitão Anand Surawan, da marinha tailandesa, anunciou esta terça-feira que o resgate pode levar meses, uma vez que o acesso ao local onde se encontra a equipa só é feito através de um canal estreito e inundado, sendo que as tentativas para retirar a água da caverna se têm revelado infrutíferas.

"Vamos enviar comida extra para pelo menos quatro meses e treinar os 13 [membros do grupo] para mergulhar, enquanto continuam a evacuar a água" da complexa rede subterrânea.

Assim, as hipóteses de retirar as crianças e o treinador são poucas: ou as equipas de resgate encontram uma saída pela caverna da gruta ou ensinam as crianças a fazer mergulho ou esperam até ao fim da época das monções que acontece em outubro.

Segundo o capitão Akanand Surawan, ensinar os rapazes a fazer mergulho é a opção mais arriscada e que as autoridades querem evitar, uma vez que não se sabe se as crianças sabem nadar, o que pode complicar a operação. Uma opinião partilhada por Bill Whitehouse, vice-presidente do Conselho Britânico de Resgate de Cavernas.

"Apesar do nível das águas ter descido, as condições de mergulho continuam difíceis e qualquer tentativa de fazer os rapazes e o treinador mergulharem não será tomada de ânimo leve porque isso representa desafios técnicos e riscos consideráveis", afirmou.

Perante este cenário, as autoridades vão agora tentar esvaziar e ventilar a caverna para que os 13 possam ser resgatados sãos e salvos. Até porque apesar de ter sido encontrada uma entrada no topo da montanha, ainda não se sabe onde é que a abertura com 1,5 metros de diâmetro vai dar e se os rapazes podem sair por ali.

Os rapazes, de 11 a 16 anos, e o seu técnico entraram na caverna Tham Luang Nang Non depois de uma partida de futebol no dia 23 de junho, mas chuvas quase constantes desde então impediram as operações de resgate.