O líder do partido da esquerda radical Syriza, Alexis Tsipras, conquistou este domingo o direito de formar um novo Governo na Grécia e tornou-se, aos 40 anos, no rosto da contestação à política de austeridade na União Europeia.

Nascido em Atenas em 28 de julho de 1974, alguns dias após o fim da ditadura dos coronéis, Alexis Tsipras, de aspeto jovial, cultiva um estilo descontraído: raramente usa gravata e tinha por hábito deslocar-se para o parlamento de moto.

Casou-se com a namorada dos tempos do liceu, tem dois filhos, vive numa casa alugada num bairro de Atenas e é adepto do Panatinaikos, clube de futebol da capital grega.

Alexis Tsipras iniciou a atividade política nas mobilizações do ensino secundário em 1990-1991, quando militava na Juventude Comunista Grega, com ligações ao Partido Comunista Grego (KKE).

Na Universidade Técnica de Atenas, onde termina o curso de engenharia civil, torna-se dirigente associativo e membro eleito pelos estudantes para o senado da universidade.

Entre 1995 e 1997, integra o conselho central do Sindicato Nacional de Estudantes da Grécia.

Após romper com o KKE, junta-se à Synaspismos, uma organização da esquerda alternativa e o principal partido da coligação Syriza – fundada em 2004, englobando mais 11 organizações radicais e que em julho de 2013 formaram único partido.

Aos 25 anos, Tsipras torna-se no primeiro líder da juventude da Synaspismos, que liderou até 2003, participando na organização dos movimentos pela globalização alternativa e no Fórum Social Grego.

Após as legislativas de 2009, torna-se no líder da bancada parlamentar da ainda coligação Syriza, que em 2014, já como partido, obtém uma clara vitória nas europeias, rompendo o tradicional bipartidarismo de conservadores e socialistas.

Perfeccionista, Tsipras é definido como um orador respeitado e temido pelos adversários políticos.

No seu gabinete do partido tem uma foto de Che Guevara e dizem-no admirador do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, com quem partilhava a data de aniversário mas com 20 anos de diferença.

Defensor dos direitos dos imigrantes e dos refugiados, faz a ponte entre diversas gerações da esquerda militante grega e a confirmação do seu carisma surgiu em 2014, ao ser apresentado como candidato a presidente da Comissão Europeia pela Esquerda europeia.

Com a vitória nas eleições de hoje, Alexis Tsipras confirmou-se como alternativa política aos partidos tradicionais, na sequência do «tratamento de choque» imposto à Grécia desde 2010, como contrapartida a um avultado empréstimo internacional.