O acordo para formação de novo Governo, na Grécia, foi alcançado esta segunda-feira, numa reunião de meia hora entre o líder do Syriza, Alexis Tsipras, e o líder dos «Gregos Independentes» (ANEL). Logo depois, Tsipras tomou posse como novo primeiro-ministro da Grécia. O acordo de coligação será conhecido, em detalhe, esta terça-feira, mas a reportagem da TVI, com a enviada Ana Sofia Cardoso, pode já adiantar que será,  apenas, um acordo para as pastas económicas.

Os Gregos Independentes deverão ficar apenas com um ministério e deverá ser o da Defesa. Não há acordo sobre mais nenhuma matéria. 

Economia e Finanças terão um único ministro, Yanis Varoufakis. Conceituado economista grego, era professor nos EUA. Está de volta à Grécia e é um dos economistas que mais defende a reestruturação das dívidas, para garantir o crescimento económico. A TVI entrevistou-o em 2011.

Recorde-se que os Gregos Independentes ou ANEL é um partido de direita, nacionalista. Contesta a chegada de imigrantes à Grécia e defende o fecho de fronteiras. É, também, um partido ligado à religião.

Ora, o Syriza é um partido tido como radical, de esquerda. O que os une é, apenas, serem anti-austeridade. Tsipras fez, de resto, questão de mostrar que a política que pretende seguir é de integração e, na tomada de posse, nem sequer fez juramento religioso.

Para além disso, logo depois desse momento solene, dirigiu-se a um monumento que visa homenagear os resistentes gregos face aos nazis.

Integração e unidade nacional é a mensagem que Tsipras quer passar interna e externamente, à União Europeia. E é com essas cartas na manga que quer impor-se a Bruxelas. Por um lado, alia-se a partido que pretende o fim da austeridade, embora seja politicamente muito diferente do seu. Por outro, escolhe um ministro das finanças que defende a reestruturação da dívida e representará o país nas reuniões do Eurogrupo. 

A Europa está muito atenta aos movimentos do novo governo grego.Os avisos europeus já começaram, bem como os apelos para cumprir acordos antigos. Certo é que, com a vitória estrondosa que obteve, tendo ficado a dois deputados da maioria absoluta, o Syriza quer mudar a Grécia e tem, para isso, um programa ambicioso, que está, no entanto, a ser criticado e classificado como contracorrente europeia.