A cidade de Oxford retirou a distinção que tinha sido atribuída à líder de facto da Birmânia e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi. O município britânico, onde Suu Kyi estudou e viveu durante alguns anos, tomou esta decisão, rara, por considerar que a responsável birmanesa não tem defendido o povo rohingya.

Oxford tem uma longa tradição de diversidade e humanismo. A nossa reputação fica manchada ao honrarmos os que fecham os olhos à violência", anunciou a autora da proposta, Mary Clarkson.

Suu Kyi estudou no Colégio St. Hugh's, em Oxford, entre 1964 e 1967. Casou com Michael Aris, um investigador da universidade, com quem teve dois filhos. O casal viveu em Oxford durante algum tempo.

Em 1997, Suu Kyi recebeu o título da Liberdade de Oxford. Na altura, a cidade justificou esta distinção, sublinhando a sua "longa luta pela democracia".

Foi, de resto, esta luta contra a ditadura militar imposta na Birmânia, e durante a qual passou muito tempo na cadeia, que lhe valeu o Nobel da Paz.

Agora, porém, Suu Kyi tem estado debaixo de fogo por causa da crise que afeta o povo rohingya, uma minoria étnica muçulmana que é considerada pela ONU um dos povos mais perseguidos do mundo.

Esperamos juntar a nossa pequena voz aos apelos pelos direitos humanos e pela justiça do povo rohingya", vincou Mary Clarkson.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, já instou a líder de facto da Birmânia a permitir o regresso ao país de centenas de milhares de rohingya que fugiram para o Bangladesh. Foi em meados do mês, num encontro que se realizou à margem de uma cimeira regional em Manila, nas Filipinas.

Segundo os dados da organização, mais de 600 mil rohingya fugiram da violência na Birmânia para o país vizinho, em apenas dois meses e meio.

A UNICEF alertou que a maioria são crianças que sofrem de desnutrição e estão expostas a doenças infeciosas e a perigos à integridade física e moral.

Uma reportagem da Sky News mostrou, de forma impressionante, o drama de milhares de rohingya que, encurralados, tentam sobreviver sem abrigo, sem comida, sem qualquer tipo de ajuda. 

O início da crise que afeta os rohingya começou em agosto, quando o exército birmanês lançou uma ofensiva contra esta comunidade, que depressa gerou muitas críticas e foi considerada uma "limpeza étnica".