Não é apenas mais uma reunião que junta 61 países para falar dos oceanos. É um debate que ocorre numa altura crítica, até porque a quantidade de carbono nos oceanos não tarda poderá atingir o limiar da catástrofe. Na conferência Our Ocean 2017, em Malta, os governos e instituições desses países vão anunciar compromissos efetivos, desde financiamento de projetos até medidas legislativas, para a construção de um enquadramento global de governação e utilização sustentável dos oceanos.

A começar pela alta-representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, Federica Mogherini, que fez saber que a Comissão Europeia vai destinar 560 milhões de euros para projetos de proteção e gestão sustentável dos oceanos.

É com orgulho que anuncio, em nome da União Europeia, que a Comissão Europeia vai destinar 560 milhões de euros, distribuídos por 36 ações concretas. Estas ações vão desde projetos de cooperação global até pequenas ações de intervenção no quotidiano"

O problema da poluição

Há várias ameaças aos oceanos, a começar pela poluição. Segundo o professor de Geofísica Daniel Rothman, 310 gigatoneladas é o máximo de carbono que os oceanos aguentam antes de a libertação súbita deste gás alterar o meio ambiente de modo a provocar extinções em massa que podem decorrer ao longo de centenas de anos.

Rothman estima que, ao ritmo a que a atividade humana produz carbono, as 310 gigatoneladas serão atingidas por volta do virar do século.

Ao longo de 540 milhões de anos aconteceram na Terra cinco extinções em massa, cada uma marcada pela perturbação do ciclo do carbono que passa pela atmosfera e pelos oceanos.

Depois, o cheiro do plástico quando colonizado por bactérias e algas no mar leva os peixes a confundi-los com alimento e ingeri-los, introduzindo-os na cadeia alimentar, avança um estudo de investigadores norte-americanos.

Portugal na conferência Our Ocean

Portugal estará representado pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, que, numa intervenção prevista para o primeiro dia da conferência, irá anunciar novas iniciativas e compromissos financeiros de Portugal sobre prevenção da introdução de espécies marinhas não-indígenas, tecnologias da informação relacionadas com o ambiente e atividades económicas oceânicas e investigação científica sobre impactos ambientais da mineração do fundo marinho.

O presidente da Fundação Oceano Azul, que gere o Oceanário de Lisboa, José Soares dos Santos, participa também na OOC 2017.

Durante os dois dias da conferência, os países e instituições participantes irão então fazer anúncios de compromissos efetivos sobre financiamentos e medidas a tomar em áreas como a criação de zonas marinhas protegidas, combate às alterações climáticas, sustentabilidade das pescas, combate à poluição marinha, segurança marítima e economia azul (atividades económicas ligadas à utilização de recursos marinhos).

Números da União Europeia indicam que, desde 2014, os compromissos assumidos nas conferências Our Ocean já produziram cerca de 250 ações concretas em todo o mundo, com financiamentos calculados em 8,2 mil milhões de euros, incluindo a designação como áreas marinhas protegidas de um total de 9,9 milhões de quilómetros quadrados.

Depois de Malta, as próximas conferências Our Ocean deverão realizar-se na Indonésia em 2018 e na Noruega em 2019.