O presidente do Parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, suspendeu esta quarta-feira a sessão extraordinária prevista para quinta-feira na qual devia ser apreciado o programa de Governo, alegando falta de condições de segurança.

Em comunicado a que a Lusa teve acesso, Cassamá informa que o ambiente que se viveu nos últimos dias no parlamento "não é favorável" a um normal funcionamento do órgão, pelo que a sessão fica suspensa até nova indicação.

"As duas tentativas de realização das sessões extraordinárias redundaram num fracasso, motivado pela insuportável perturbação de que foram alvo os 15 deputados que perderam os mandatos", refere o comunicado.
 

Governo da Guiné-Bissau responsabiliza o chefe de Estado 


O Governo da Guiné-Bissau responsabilizou esta quarta-feira o Presidente da República, José Mário Vaz, pelo "clima de instabilidade" no país e denunciou uma alegada intenção de deter os membros do atual Executivo, sem indicar por parte de quem.

Em comunicado, distribuído após reunião do Conselho de Ministros, o Executivo diz ser estranho o silêncio de José Mário Vaz perante a crise que assola o país nos últimos dias, lembrando que o chefe de Estado é "o símbolo da unidade nacional e garante da independência".

"Este silêncio do Presidente da República pronuncia, para o Governo, uma atitude não só de cumplicidade, mas também de apoio a uma tentativa de golpe institucional orquestrada pelos dirigentes expulsos do PAIGC e que, em consequência, perderam o mandato de deputado", no Parlamento, refere o comunicado.

 

PAIGC acusa deputados dissidentes de “tentativa de golpe de Estado”


 O presidente do PAIGC, partido no poder na Guiné-Bissau, classificou também esta quarta-feira como uma "tentativa de golpe de Estado" a recusa de 15 deputados expulsos do partido em não sair do parlamento depois de terem perdido o mandato.

"Esta tentativa de usurpação do poder pela força é na verdade uma tentativa de golpe de Estado, já há muito em preparação", referiu Domingos Simões Pereira.