Um dos três apresentadores do «Top Gear», James May, recusa fazer o programa sem o apresentador que foi afastado pela BBC, na sequência de uma violenta agressão a um produtor. Jeremy Clarkson foi definitivamente afastado no final de março, pela direção. A solução poderia passar, agora, por arranjar um substituto para o programa continuar com May e Richard Hammond. O primeiro descartou logo essa hipótese.

«Eu e Hammond com um Jeremy substituto é um contrassenso, simplesmente não funcionaria. Seria [um programa] coxo», disse, segundo o «The Guardian».   

«Tem de ser com os três. Não se pode simplesmente colocar um substituto de Jeremy e esperar que continue [a ser como antes]. Seria forçado. Eu não acredito que [a BBC] seria estúpida o suficiente para tentar isso»


Não quer dizer que o programa não volte. May deixa isso nas mãos do futuro. Mas o programa ou é com Jeremy ou não é de todo.

A BBC decidiu não renovar contrato com Jeremy Clarkson, por causa da agressão ocorrida no início de março, durante as gravações do programa. Num comunicado, Tony Hall, o diretor geral da estação de televisão, garantiu que a decisão foi muito ponderada.
«Não posso aceitar o que aconteceu. Para mim, passou-se uma linha. Precisamos de vozes distintas e diferentes, mas não a qualquer preço. Tem de haver regras de decência e respeito na BBC».

O diretor geral da BBC frisou, no entanto, que a decisão tomada não anula o «extraordinário contributo» de Jeremy Clarkson para a estação televisiva. 

O apresentador explicou, depois, o que o levou a agredir violentamente o colega quando este lhe disse simplesmente que não poderia ingerir uma refeição quente ao jantar. Clarkson revelou que os médicos lhe tinham dito que poderia estar com cancro.

«Top Gear» era uma das âncoras da televisão britânica e a suspensão do programa terá levado a uma quebra de audiências na ordem dos quatro milhões de telespectadores. 

Esta não foi a primeira vez que Jeremy Clarkson se viu envolvido em polémicas. O próprio admitiu que em 2014 a BBC lhe fez um «aviso final», depois de ter sido acusado de racismo durante as filmagens de um episódio do programa.  

No passado dia 20 de março foi entregue na sede da BBC, em Londres, um abaixo-assinado a exigir o regresso do apresentador. O mentor da iniciativa utilizou um tanque de guerra com o objetivo de transmitir uma «mensagem forte». Um episódio insólito que não teve o efeito desejado.