Uma das vilas mais ricas da Europa, localizada na Suíça, decidiu pagar uma multa de 263.000 euros para não ter de acolher dez refugiados ao abrigo de uma quota estabelecida a nível nacional.

Oberwil-Lieli é uma vila pitoresca no norte da Suíça, marcada por extensos campos verdes e vistas incríveis sobre os Alpes. As moradias luxuosas, os jardins bem tratados, as estradas e as ruas sempre limpas atraíram as elites do país e hoje é conhecida pela riqueza que a envolve. Os números não enganam: 300 dos cerca de 2.200 habitantes são milionários.

Agora, a vila está a ser acusada de racismo, após uma decisão polémica. É que, depois de o governo suíço ter imposto quotas a nível nacional para distribuir cerca de 50.000 refugiados, Oberwil-Lieli, que teria de integrar dez desses refugiados, decidiu fazer um referendo local sobre esta matéria.

Os residentes da vila não tiveram dúvidas e votaram contra o acolhimento do grupo. Ao rejeitar a ordem do governo, Oberwil-Lieli é obrigada a pagar uma multa de cerca de 290.000 francos suíços, cerca de 263.000 euros.

O caso está a dar que falar na Suíça e há várias vozes indignadas por todo o país.

Um habitante da vila, que falou ao Mail Online sob anonimato, justificou a decisão, afirmando que os refugiados não se iriam adaptar.

“Trabalhámos toda a nossa vida para ter uma vila bonita, não queremos que esta seja estragada. Não estamos aptos para acolher refugiados e eles também não se iriam adaptar.”

O presidente da câmara de Oberwil-Lieli, Andreas Glarner, já rejeitou, no entanto, a ideia de que o voto contra o acolhimento de refugiados tivesse sido motivado por racismo. Glarner acrescentou que a vila não recebeu todas as informações sobre este grupo, nomeadamente se se tratam de refugiados provenientes da Síria ou de migrantes que fugiram de outros países por razões económicas.

Porém, mesmo no caso dos refugiados oriundos da Síria, o governante acredita que estes deverão ser ajudados nos campos estabelecidos perto da Síria e que a sua integração em vilas como Oberwil-Lieli pode passar "a mensagem errada".

“Sim, os refugiados da Síria têm de ser ajudados, mas penso que deverão ser ajudados nos campos de refugiados perto do seu país. Deverá haver dinheiro para os ajudar, mas se os acolhemos aqui estamos a enviar a mensagem errada. Outros vão querer vir e arriscar as suas vidas, atravessando o oceano e pagando aos traficantes para os transportar.”