Os voluntários que queiram participar no primeiro estudo de larga escala para a vacina experimental do ébola, que se vai realizar em Lausanne, na Suíça, vão receber 800 francos suíços (cerca de 660 euros) em compensação, um valor que os locais consideram baixo em relação ao risco.

 

Nos testes da vacina experimental, criada pela GlaxoSmithKline Plc, que começam já a 31 de outubro, vão participar 120 adultos saudáveis, e até ao momento outras 50 já se voluntariaram. Os participantes poderão receber uma vacina experimental, ou uma de efeito placebo (uma vacina «falsa»).

 

Enquanto Balise Genton, o responsável pelo estudo, diz que encontrou vários colegas e estudantes voluntários para participar no estudo, nas ruas de Lausanne, isso não se verificou. Os cidadãos da cidade não parecem confiantes no sucesso da vacina e têm medo dos efeitos secundários.

 

«Não quero um vírus animal injetado no meu corpo. A remuneração é pouco para o risco que se está a tomar», disse Sebastien Charpie, funcionário público, em declarações à Bloomberg.

 

Esta foi praticamente a mesma resposta de seis outras pessoas entrevistadas na rua, de cinco funcionários de um hospital, uma farmacêutica e dois condutores de táxi, que além das preocupações com a sua segurança, não confiam nas intenções da indústria farmacêutica.

 

«Podiam pagar-me mil vezes essa quantia [660€], e dizia sempre que não», afirmou o taxista Kabongo Mlamba, que emigrou  para a suiça a partir da República Popular do Congo, justamente onde o vírus começou em 1976.

 

Blaise já realizou mais de 20 testes semelhantes, mas está confiante que este será diferente.

 

«Este é muito diferente de todos os outros podem acreditar, e é por isso que estou muito otimista. Precisamos de trabalhar rapidamente para termos mais um elemento de prevenção para juntar aos que já temos», disse o investigador do Hospital Universitário de Lausanne à «Bloomberg».

 

Uma encomenda com cerca de 100 frascos vai ser enviada dos EUA para a Suíça ainda esta semana, para que as inoculações comecem na data previstas. A vacina da Glaxo (GSK) baseia-se numa versão modificada de um vírus de chimpanzé modificado, que contém o gene do ébola.

 

Genton também disse, esta quarta-feira, que testes da vacina na Universidade de Oxford,  nos Estados Unidos e no Mali, que envolveram dezenas de pessoas, mostraram poucos efeitos secundários.

 

Este teste é o maior em desenvolvimento, mas não é o único. A agência de saúde das Nações Unidas também está a coordenar um segundo teste no Hospital Universitário de Genebra.