Domingo de sobressalto na cidade sueca de Malmo, quando quatro pessoas ficaram feridas, atingidas por balas, quando decorria um jogo de futebol. Uma delas terá ficado ferida na cabeça.

Uma fonte policial disse ao Sydsvenskan que foi "um milagre" mais ninguém ter ficado ferido, já que algumas balas atingiram os apartamentos. Pelo menos uma ou duas balas foram parar a um apartamento e, por "centímetros", não atingiram uma criança. 

Quem e porquê não se sabe. A investigação também está a tentar apurar como tudo aconteceu. Uma testemunha disse que foram disparadas em três rajadas e que os suspeitos fugiram num carro a alta velocidade. Mas, nem isso é dado como certo, já que as autoridades estão a averiguar uma segunda pista, que aponta que a fuga foi feita de mota. Segundo o The Local, os órgãos de comunicação suecos apuraram que um carro estava a ser perseguido por duas scooters. O carro embateu numa árvore e foi quando ocorreram os disparos por homens de cara tapada. 

 

 

 

 

A porta-voz da polícia limitou-se a confirmar os tiros e que havia “mais do que um ferido”. O resto está em investigação. Um helicóptero da polícia, que estava a dar apoio ao jogo, foi desviado para cena do crime, mas não há conhecimento de suspeitos detidos.

Os factos ocorreram em Censorgatan, por volta das 19.00 locais. Duas horas depois, em Helenholm, um subúrbio de Malmo, foi ouvida uma explosão, mas que, aparentemente, não foi mais do que fogo de artifício.

Razão insuficiente, ainda assim, para tranquilizar os suecos, já que um engenho suspeito foi também encontrado numa escola primária de Gotemburgo. Depois de França, Alemanha e Bélgica, a Suécia está com medo de um ataque terrorista, com o aumento de gangues no país e o receio de relações entre alguns destes grupos e o Estado Islâmico, refere o Express.

A criminalidade tem vindo a aumentar no país, com zonas em que a polícia não consegue sequer entrar, de acordo com os órgãos locais citados pela RT. Malmo é uma das cidades fustigadas por essa onde de violência, com mais de 70 carros queimados nos últimos tempos.

 

Os suecos e os refugiados

Alvo dessa onda de violência são, por vezes, os imigrantes, vindos na onda de refugiados que fogem da guerra. Em janeiro, centenas de mascarados atacaram os refugiados em Estocolmo. E, em agosto, uma criança refugiada morreu após o rebentamento de uma explosão na sala onde dormia. Outros incidentes também foram reportados em centros de acolhimento do país.

A população sueca também parece estar a tornar-se mais hostil com os imigrantes. Uma sondagem divulgada em fevereiro revelou que a imigração era a principal preocupação para 40% dos suecos, acima de inquietações relacionadas com o insucesso escolar, o desemprego e o bem-estar. Esta foi a maior mudança de opinião na história das sondagens na Suécia.

"A maioria dos suecos não é racista", afirma a ministra do Emprego e da Integração Ylva Johansson. "Mas quando há esta situação especial de asilo, quando eles não podem trabalhar e não podem integrar-se na sociedade, isto cria realmente uma tensão. É uma situação perigosa; temos muita gente na terra de ninguém… a viver fora da sociedade."

A Reuters recorda que 163 mil pessoas preencheram os papéis a pedir asilo à Suécia em 2015, o que levou a Suécia, um país “amigo” da imigração, a optar por um reforço das fronteiras e a controlar os migrantes no país.

Uma dessas medidas passa pelo exame à dentição dos refugiados, para que não se façam passar por crianças nos centros de acolhimento.

“Aqueles que os pedidos de asilo forem rejeitados devem regressar a casa”, já disse o ministro Morgan Johansson, de acordo com a Reuters, ameaçando judicialmente os empresários que contratem imigrantes ilegais.