O ministro da Cultura do Brasil, Roberto Freire, apresentou na quinta-feira a sua demissão devido ao escândalo de corrupção que implica o Presidente Michel Temer e que levou oposição e apoiantes do Governo a exigirem a sua renúncia.

Freire apresentou a sua demissão horas depois de o ministro das Cidades, Bruno Araújo, abandonar o Governo em reação às acusações feitas ao Presidente.

Numa carta dirigida a Temer, Freire assegurou que “tendo em vista os últimos acontecimentos e a instabilidade política gerada pelos fatos que envolvem diretamente a Presidência da República”, decidiu, com “caráter irrevogável, renunciar ao cargo de ministro de Estado da Cultura”.

Michel Temer mantém-se como presidente do Brasil: "Não renunciarei!"

Numa curta declaração, enérgica, mas sem direito a perguntas, o presidente brasileiro tentou pôr uma pedra sobre o assunto que abalou o país, quarta-feira à noite, com a revelação de que o empresário Joesley Batista teria gravado a conversa que tivera consigo a 7 de março. Na qual Temer teria assentido a que ele continuasse a pagar mensalmente subornos ao detido ex-deputado, Eduardo Cunha. Para que este não contasse o que sabe à Justiça.

Ouça aqui a gravação da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer

No entanto, apesar da resistência de Michel Temer em se manter como presidente, muitas vozes se têm levantado, considerando que deveria abandonar o cargo. Incluindo o antigo presidente Fernando Henrique Cardoso, que usou o Facebook para o efeito. Mesmo sendo conhecido como um dos que sempre apoiaram o senador Aécio Neves, também ele fortemente apanhado nos mais recentes episódios da novela político-judicial que se agudiza no Brasil.

 

Protestos regressam às ruas

Logo após a comunicação de Temer ao país, milhares de pessoas saíram às ruas das principais cidades do Brasil para mostrar o descontentamento para com a decisão do presidente em manter-se no cargo.

 Segundo a Globo, foram realizados protestos em pelo menos 29 cidades, de 21 Estados.

Milhares de manifestantes prometeram não descansar até que Temer abandone a presidência e garantem que vão realizar protestos diários.