A atriz porno Stormy Daniels apresentou esta quarta-feira um requerimento num tribunal da Califórnia que visa forçar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu advogado, Michael Cohen, a prestarem declarações, sob juramento, perante a justiça.

O defensor da estrela de filmes para adultos, Michael Avenatti, apresentou uma moção para que Trump preste declarações, durante "não mais de duas horas", e responda se sabia ou não da existência de um alegado acordo de confidencialidade relativo a uma relação sexual com a sua cliente em 2016. Nessa data, Trump já estava casado com a atual mulher, Melania.

A petição ao tribunal também inclui Michael Cohen, advogado pessoal de Trump desde há muitos anos.

Os defensores de Stormy Daniels querem que Cohen responda em tribunal sobre declarações suas feitas em fevereiro, nas quais admitiu ter pagado a 130 mil dólares (104 mil euros) a Daniels, do seu próprio bolso. Também disse que esse dinheiro foi pago por si, em 2016, e que não tinha sido reembolsado nem pelo Grupo Trump nem pela campanha do então já candidato Republicano.

No documento apresentado ao tribunal californiano, Avenatti refere-se a Trump como "David Dennison" e a Stormy Daniels como "Peggy Peterson", pseudónimos usados no hipotético acordo de confidencialidade entre ambos.

Processo por difamação

Stormy Daniels, cujo nome real é Stephanie Clifford, fez outra diligência processual na terça-feira para aumentar a pressão sobre Cohen. A atriz porno passou a incluir o advogado no processo contra Trump, acusando-o agora de difamação, por este ter insinuado que ela mente.

Trump poderá, assim, ser obrigado a prestar declarações em tribunal sobre o seu historial sexual, e sob juramento. Caso aconteça, será a primeira vez que um presidente em funções presta depõe sob juramento desde que Bill Clinton, em 1998, teve de responder sobre os seus encontros com Paula Jones.

No passado domingo, a estrela porno Stormy Daniels explicou no programa "60 minutos", da cadeia CBS, que dormiu com Trump uma vez, pouco depois de Melania ter dado à luz o filho mais novo do Presidente, Barron, hoje com 11 anos.

Também relatou que, em 2011, um homem aproximou-se dela num parque de estacionamento de Las Vegas e "aconselhou-a" a não falar sobre a sua suposta relação sexual com Trump em 2006.

Largue esse assunto do Trump. Esqueça essa história", disse Daniels, recordando as palavras do homem, que olhou para a filha pequena da atriz, no banco de trás do carro. "É uma menina linda. Seria uma pena se acontecesse alguma coisa à sua mãe", ameaçou o mesmo indivíduo.

A atriz disse que foi essa ameaça, e o medo que esta lhe provocou, que a levou, na reta final da campanha presidencial de 2016, a aceitar assinar o acordo de confidencialidade sobre o seu romance com Trump. Esse acordo valeu-lhe 130 mil dólares, o valor que o advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, diz ter pagado do seu próprio bolso.

O advogado de Daniels, Michael Avenatti, argumenta que o "acordo de confidencialidade" que Daniels assinou em outubro de 2016 não é válido porque não foi assinado pelo próprio Trump.