Uma nova datação do conjunto pré-histórico de Stonehenge, no sul da Inglaterra, situa a construção do monumento cerca de 2300 a.C., disseram arqueólogos britânicos, que levantam a hipótese do monumento ser um lugar onde se efectuavam curas, segundo a BBC.

A data, definida pelo método de datação por radiocarbono, é considerada a mais precisa já realizada e significa que as pedras foram colocadas no local 300 anos depois do que se imaginava.

A determinação da data foi o principal resultado de uma grande escavação no local. As análises indicam que o círculo original de pedras gigantes foi transportado de um local situado a 240 km de distância, no sul do País de Gales.

Esta façanha fez com que muitos acreditassem que as pedras tivessem «poderes», para os construtores do monumento.

Até agora, acreditava-se que a construção do primeiro círculo datava do período entre 2600 a.C. a 2400 a.C.

Para definir a data exata, o professor Tim Darvill, da Universidade de Bournemouth, e o arqueólogo Geoff Wainwright, receberam permissão das autoridades para escavar um pedaço de terra de apenas 2,5 m x 3,5 m, entre dois círculos das pedras gigantes.

A escavação revelou cerca de 100 peças de material orgânico das bases das pedras, agora enterradas. Dessas peças, 14 foram enviadas para a Universidade de Oxford para uma análise com radiocarbono.

O resultado indicou a construção para o período «entre 2400 a.C. a 2200 a.C» - o ano de 2300 a.C. foi tirado como uma média. Uma data ainda mais precisa será revelada nos próximos meses.

«É uma sensação incrível, um sonho que se torna realidade», disse Wainwright, ex-arqueólogo-chefe da English Heritage.

Darvill e Wainwright acreditam que Stonehenge era um centro de curas, para onde os doentes viajavam para serem curados pelos poderes do arenito cinzento, conhecido como «pedras azuis».

Os arqueólogos apontam para o facto de que «um grande número» de cadáveres encontrados em túmulos perto do local mostra sinais de doenças e ferimentos físicos sérios e uma análise dos dentes mostra que «cerca de metade» dos corpos era de pessoas que «não eram nativas da região de Stonehenge».

Mas sem uma data precisa para a construção de Stonehenge tem sido difícil provar essa ou qualquer outra teoria.

O «Arqueiro de Amesbury»

Curiosamente, o período estabelecido pelo método de radiocarbono bate com a data do enterro do chamado «Arqueiro de Amesbury», cujo túmulo foi descoberto a cerca de 4,8 km de Stonehenge.

Alguns arqueólogos acreditam que o arqueiro seja a chave para entender a razão pela qual Stonehenge foi construído. Os restos mortais foram datados entre 2500 a.C. e 2300 a.C.

Análises do cadáver do arqueiro e de artefactos encontrados no túmulo indicam que seria um homem rico e poderoso, com conhecimento do trabalho com metais, e que tinha viajado da região dos Alpes europeus para Salisbury por razões desconhecidas.

Análises também indicaram que sofria de um ferimento no joelho e de um problema dentário potencialmente fatal, o que fez com que Wainwright e Darvill acreditassem que o arqueiro tenha ido a Stonehenge em busca de uma cura.

Mas outros investigadores acreditam que não se pode descartar outras teorias sobre a construção do monumento.

«A teoria de que foi um centro de curas é plausível, mas eu não acredito que possamos descartar outras - que o templo era um ponto de encontro entre a terra dos vivos e a dos mortos, por exemplo», disse Andrew Fitzpatrick, da Wessex Archaeology.

«Eu não estou convencido de que o «Arqueiro de Amesbury» tenha vindo a Stonehenge para ser curado. Acredito mais que ele era um metalúrgico que viajou para o local para vender seus conhecimentos», afirmou.