Uma veterinária norte-americana de 41 anos está detida em Timor-Leste desde 5 de setembro sem acusação formal, sem ter sido interrogada pelo Ministério Público e depois de lhe terem retirado o passaporte.

Stacey Addison entrou no país, através da fronteira com a Indonésia, e partilhou um táxi com um estranho em direção à capital, Díli. O colega de viagem, que não tinha qualquer relação com Addison, pediu para parar num escritório onde foi buscar um pacote que continha, alegadamente, metanfetaminas. O veículo foi depois parado pela polícia timorense que, ao descobrir a droga no carro, prendeu os dois passageiros e o condutor. A história é relatada pela própria na  página do Facebook Help Stacey, que já tem quase 13 mil gostos.

De acordo com a CNN, a norte-americana está encarcerada na prisão feminina de Gleno, situada próximo da capital de Timor-Leste, onde partilha a cela com outras mulheres. São semanas atrás das grades, sem uma explicação e sem conhecer novos desenvolvimentos do caso.

A estação norte-americana de televisão obteve agora permissão para filmar Stacey Addison. São as primeiras imagens, exclusivas, após a detenção, durante uma reunião da norte-americana com o advogado e com o primeiro-ministro de Timor-Leste, que se ofereceu para a ajudar.

Para Xanana Gusmão, Stacey Addison é apenas uma vítima das circunstâncias.

«O meu instinto diz que ela é completamente inocente. Foi apanhada por acidente no local errado, à hora errada, acompanhada de um grupo de indonésios», afirmou à CNN.


Na altura da detenção, Stacey Addison não tinha cadastro criminal. O computador pessoal foi investigado e considerado livre de suspeita, assim como todos os medicamentos que trazia. Os testes à urina para a deteção de drogas revelaram-se negativos. Também a despiram à procura de drogas no próprio corpo e não encontraram nada. O estranho com quem partilhou o táxi garantiu às autoridades que não a conhecia antes daquela viagem.

Stacey Addison passou cinco dias na prisão, até ser libertada a 9 de setembro. Saiu em liberdade condicional, mas retiraram-lhe o passaporte, o que lhe permitia viajar dentro do país, mas a impedia de abandonar Timor-Leste.

A veterinária contratou o advogado timorense Paulo Remédios para ajudar na defesa, que interpôs um recurso para recuperar o passaporte da norte-americana. O pedido não só foi negado, como durante todo o processo, Stacey Addison não foi interrogada pelos promotores do Ministério Público de Timor-Leste.

No meio do impasse, a investigação parou de forma repentina. A 27 de outubro o promotor do caso foi despedido, sem que outro fosse nomeado para o lugar: pertencia ao grupo de magistrados e de conselheiros legais estrangeiros que receberam ordem de expulsão de Timor-Leste.

(Foto: Facebook)

A 29 de outubro, Stacey Adisson foi ao tribunal pedir uma cópia do documento que indeferia o recurso para reaver o passaporte e descobriu que tinha um mandado de captura em seu nome. Foi detida no local, sem que lhe fosse dada qualquer explicação e sem que fosse feita uma acusação formal. Nunca foi interrogada pelo Ministério Público.

O Congresso norte-americano está a encetar esforços para resolver o estranho caso da prisão de Stacey Addison no plano diplomático. Ao mesmo tempo, Stacey Addison e os representantes estão a pressionar o Governo norte-americano para que intervenha no processo e para que nomeie um embaixador norte-americano em Timor-Leste, com a esperança de que uma figura com ligações sólidas com a administração de Barack Obama possa chegar até às autoridades timorenses e resolver o processo. Os Estados Unidos não têm representação diplomática ao mais alto nível em Timor-Leste há cerca de um ano.