O Partido Socialista da Galiza (PSdeG) quer que aquela comunidade autónoma espanhola integre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com o estatuto de observador, de modo a “impulsionar as relações políticas e económicas com a lusofonia”.

“Entendemos que a Galiza tem de ter um papel junto de países irmãos de língua e cultura como Portugal, Brasil, Moçambique, Timor-Leste e também porque queremos impulsionar as relações políticas e económicas com a lusofonia”, explicou à Lusa David Balsa, candidato do PSdeG a deputado nas eleições para o parlamento regional que se realizam no próximo domingo.

A entrada da Galiza na CPLP com o estatuto de observador é uma das propostas do programa eleitoral do PSdeG que a assumiu como “compromisso explícito vinculativo”.

“Se ganharmos as eleições, iremos solicitar oficialmente o ingresso da Galiza na Comunidade de Países de Língua Portuguesa”, acrescentou o candidato, assinalando ser esta a “primeira vez” que uma força política daquela comunidade autónoma, e que esteve a governar a Junta da Galiza, “apresenta oficialmente esta proposta no seu programa”.

Segundo David Balsa, é na lusofonia que a Galiza se sente apreciada e com quem entende que as suas empresas e universidades “podem fazer intercâmbios mutuamente positivos”.

“Vai ser mutuamente benéfico porque vai permitir ganhar peso político a nível internacional, tanto à Galiza como a Portugal”, salientou, acrescentando que a integração da Galiza na CPLP permitirá “formalizar uma forte relação que já existe entre os dois povos”.

O candidato a deputado revelou ainda ter apresentado na passada semana a proposta ao primeiro-ministro português, António Costa, que mostrou “uma boa recetividade sobre a ideia de aprofundar os laços entre a Galiza e Portugal”.

Também o autarca de Santo Tirso, Joaquim Couto, e membro de um grupo de socialistas do Norte que “tem uma esperança muito forte na dinâmica Galiza-Norte de Portugal”, confirmou a apresentação a António Costa da proposta do PSdeG que, disse, “é uma manifestação muito importante e muito interessante da aproximação” que tem sido desenvolvida nos últimos anos.

“A CPLP é um grupo que deve crescer e que deve ter cada vez maior influência”, sublinhou, destacando a “coordenação dos países de expressão portuguesa a nível internacional que tem sido benéfica para todos”.

Para Joaquim Couto, “uma posição política desta natureza é um argumento muito forte para puxar a Galiza para a importância que tem no contexto ibérico e no contexto das regiões europeias e é um passo muito importante para o estreitar de relações entre a Galiza e o Norte de Portugal”.