A odisseia vivida por dois mergulhadores colombianos podia fazer parte de um filme de terror, onde os tubarões seriam o problema principal. Mas tudo o que aconteceu foi bem real e fez com que os dois protagonistas temessem pela vida.

Hernán Rodriguez e Jorge Morales fizeram parte de um grupo de cinco mergulhadores arrastados por uma corrente marítima durante um passeio próximo da ilha colombiana de Malpelo, no dia 31 de agosto. Um dos mergulhadores conseguiu nadar até à costa, dois ainda estão desaparecidos e Hernán e Jorge foram salvos depois de passarem uma noite em alto mar.

A situação piorou quando Rodriguez perdeu a máscara de oxigénio e começou a ter problemas respiratórios, que se acentuaram com o medo crescente de ser atacado pelos tubarões que costumam passar naquela área, até porque são a principal atração das expedições de mergulho.

Foi um duro golpe, porque a máscara era dos elementos básicos que nos ajudava a ficar vivos", disse à BBC o mergulhador colombiano, de 37 anos.

Rodríguez e o amigo revezaram a única máscara que tinham e esforçaram-se para não cederem ao medo constante. A certa altura ouviram o som distante de um motor. Tratava-se de um avião ao qual os mergulhadores tentaram pedir ajuda com as bóias de sinalização. Pouco tempo depois, os dois náufragos viram a aeronave regressar e suspiraram de alívio.

Fomos tomados pelo desespero. Cerca de 15 minutos depois, vimos um ponto no ar. O avião regressou. Tínhamos a certeza de que eles estavam a olhar para nós", contou Rodríguez.

O avião não apenas voltou ao local onde os dois estavam como lançou um bote insuflável para os manter a salvo, enquanto a marinha colombiana montava uma missão de resgate.

Eu senti-me como se uma recarga de energia incrível tivesse tomado conta de mim, da cabeça aos pés. Foi uma enorme felicidade, porque os ânimos estavam muito baixos", recorda o mergulhador.

Rodríguez conta que pensou nos piores cenários, mas diz ter mantido a mente ocupada, decidindo trabalhar em conjunto com o amigo para aumentar as hipóteses de sobreviverem.

Para se manterem aquecidos, amarraram-se um ao outro. Usaram cordas para flutuar na água em posição fetal e, assim, evitar a fadiga de manter pernas e braços em movimento para não se afogarem.

Quando foram resgatados, os dois mergulhadores apresentavam algumas queimaduras feitas por anémonas, embora tenham tentado evitar esses ferimentos protegendo os braços e o pescoço com as boias.  

A aventura de Rodríguez e Morales começou em 25 de agosto, quando 12 mergulhadores acompanhados por três instrutores e pela tripulação do barco Mary Patricia partiram de Buenaventura, na Colômbia, para navegar no oceano Pacífico. Seria uma viagem de 30 horas até a ilha de Malpelo, interrompida por uma forte corrente marítima que atirou as cinco pessoas para a água.

As buscas pelos mergulhadores Érika Díaz e Carlos Jiménez, ainda desaparecidos, decorrem há uma semana.