Passavam duas horas desde que a terra tinha tremido. Nas agências de notícias caiam as primeiras imagens do sismo que tinha abalado o Nepal. As primeiras fotografias a chegar não podiam ser mais explícitas da dimensão da tragédia: um homem soterrado era salvo de um edifício em ruínas.

As imagens foram captadas pelo fotojornalista, Narendra Shrestha, da EPA (Agência de Fotografia Europeia), que estava em casa quando sentiu os tremores do sismo de 7.8 que no sábado de manhã atingiu o Nepal e já fez mais de três mil mortos.

“Pensei que ia morrer”, disse o fotógrafo à revista TIME. “Foi horrível. Como é que sai disto? Este foi o meu dia de sorte”, contou.




Assim que começaram os tremores, Shrestha conta que a filha começou a chorar e que não queria que o pai saísse de casa, recentemente construída, e que resistiu incólume ao abalo. O fotógrafo conta que no momento pensou para si: “Devo fotografar isto. É o meu trabalho”.

O fotojornalista de 40 anos, que trabalha há 17 anos e está colocado em Katmandu, ficou impressionado com a devastação após o terramoto. “Toda a gente está em choque”, disse.

Não muito longe da sua casa, em Thamel, o principal centro turístico em Katmandu, encontrou um hotel em construção. Ao lado, estava uma velha casa que tinha colapsado com os tremores, soterrando um número indeterminado de pessoas. Entre os escombros, o vislumbre de um corpo ainda com vida. 



Pelas estimativas do fotógrafo, pelo menos 40 operários da construção civil estavam no local a tentar desenterrar o homem, do qual apenas a cabeça se via.

“Tudo o que se conseguia ver era a cabeça. O resto do corpo estava enterrado”, contou.



À medida que os destroços eram removidos, todos se apercebiam que o homem estava ainda vivo. O fotógrafo conseguiu capturar em imagens o salvamento do homem, um dos primeiros rostos das vítimas do sismo que começou de imediato a correr mundo.



O número de pessoas soterradas no sismo de sábado, no Nepal, não é ainda claro. As autoridades não conseguiram ainda quantificar um número de desaparecidos. À vida deste homem valeu-lhe a proximidade com trabalhadores que rapidamente o conseguiram resgatar.

A história não se repetiu para centenas de outras vítimas que ficaram encurraladas entre os destroços. Foi o caso de um homem que ficou preso nos escombros com um amigo morto e ao fim de 18 horas foi salvo pelas equipas de resgate, ou o de uma outra mulher que morreu depois de ter sido encontrada, no dia seguinte ao sismo, e ter aguentado durante nove horas um resgate que só terminou quando já tinha perdido a vida.