O Japão assinala o quinto aniversário do sismo, seguido de tsunami, que causou cerca de 17 mil mortos, milhares de desalojados e desaparecidos.

O terramoto aconteceu a 11 de março de 2011. O abalo, com epicentro a cerca de 371 quilómetros de Tóquio, teve uma magnitude de 9 na escala de Richter e atingiu a costa nordeste da ilha de Honshu, a mais povoada do arquipélago. O relógio marcava 14:46 (05:46 em Portugal continental) quando começou um dos desastres naturais mais mortíferos daquele país, o maior dos últimos 140 anos.

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O alerta de tsumani foi alargado a 50 países e o pior viria a confirmar-se no nordeste do Japão. A cidade mais afectada foi Sendai, ilha de Honshu, a 179 quilómetros do epicentro. As réplicas seguiram-se e a mais forte registou uma magnitude supereior a 6 na escala de Richter.

Desastre nuclear sem precedente

O forte abalo e as ondas gigantes atingiram também a central nuclear de Fukushima Daiichi, danificando três reatores que ficaram sem arrefecimento. O Governo japonês declarou estado de emergência por causa da central nuclear na região de Sendai e outros quatro reatores nas zonas mais afetadas foram encerrados.

Em Fukushima, 170 mil habitantes tiveram de abandonar as suas casas e recorrer a abrigos provisórios. Cinco anos depois são quase 60 mil as pessoas de Iwate, Miyagi e Fukushima que continuam a viver em abrigos temporários, cerca de metade do número máximo de deslocados que se chegou a alcançar, segundo os mais recentes dados disponíveis. Muitas destas pessoas não regressarão aos locais onde viviam até 2021 porque os 46 municípios afetados trabalham na reabilitação das zonas devastadas mas em muitos casos enfrentam dificuldades que as impedirão de completar essas tarefas a curto e médio prazo, informaram as autoridades citadas pela Lusa.

Dentro da central nuclear de Fukushima.

Nas vésperas do quinto aniversário da catástrofe atómica, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, defendeu que o país não pode ficar sem energia nuclear.

O nosso país é pobre em recursos e não pode prescindir da energia nuclear para garantir um fornecimento regular de energia, levando em conta considerações económicas e as mudanças climáticas".

Entretanto o presidente da empresa proprietária da central nuclear de Fukushima, Naomi Hirose, pediu perdão aos japoneses por ter subestimado a gravidade da situação em 2011.

É verdade que não seguimos o manual que especifica os indicadores-chave nas distintas fases de fusão do núcleo. Lamentamos muito”, disse Naomi Hirose, diante de uma comissão parlamentar, citado pela agência Lusa.

As três prefeituras mais atingidas pelo acidente radioativo foram Iwate, Miyagi e Fukushima, onde se situa a central nuclear de Fukushima Daiichi e que sofreu o pior acidente nuclear desde Chernobyl (Ucrânia), em 1986, quando o núcleo de três dos seis reatores em funcionamento entrou em fusão.

Na passada quarta-feira, um tribunal japonês ordenou o encerramento de dois reatores nucleares no por razões de segurança. A decisão judicial foi baseada nas lições aprendidas com o acidente ocorrido há cinco anos em Fukushima. A notícia avançada pela televisão pública NHK refere que as unidades 3 e 4 da central nuclear de Takahama, no oeste do Japão serão encerradas, depois de terem sido reativadas sob padrões de segurança mais estritos.

Ainda há 2.500 desaparecidos no Japão

Takayuki Ueno nunca recuperou os corpos dos pais e dos filhos (Reuters)

Para além das quase 17 mil pessoas mortas no terramoto, em 2016 ainda há 2.500 pessoas cujos corpos não foram recuperados. Em Fukushima, os sobreviventes desafiam a proibição de permanência nos locais mais afetados pelos altos níveis de radiação para continuar a procurar os corpos dos entes desaparecidos.

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Mais de 12 mil réplicas do terramoto

Desde 2011, a Agência de Meteorologia do Japão (JMA) registou mais de 12 mil réplicas do terramoto que arrasou o nordeste do país. Segundo dados da JMA, publicados pela agência Kyodo, as réplicas deste sismo são cada vez mais incomuns, mas os movimentos registados na zona afetada duplicaram comparativamente ao período antes do sismo de 11 de março de 2011.

Só no ano passado houve 615 terramotos percetíveis, considerando que a média anual na primeira década de 2000 foi de 306 sismos.