Caíram como meros baralhos de cartas e formaram densas nuvens de cinzas que “engoliram” tudo e todos. Vários edifícios da Cidade do México não resistiram ao sismo que sacudiu a capital mexicana nesta terça-feira. O país ainda estava a recuperar do terramoto que fez perto de 100 mortos, a 7 de setembro, quando se viu a braços com uma nova tragédia, ainda mais devastadora. Mas por que é que este abalo, de magnitude de 7,1, já fez mais mortos e mais estragos do que o sismo anterior, que teve uma magnitude superior e foi considerado o mais forte dos últimos 100 anos?

No espaço de duas semanas, dois fortes sismos, centenas de mortos e um enorme rasto de destruição. Os acontecimentos recentes atestam o contexto tectónico complicado em que o México se insere, uma zona do globo onde interagem cinco placas tectónicas.

O terramoto que ocorreu a 7 de setembro teve uma magnitude de 8,1, e foi considerado o mais forte dos últimos 100 anos. No entanto, e apesar de ter tido uma magnitude inferior, o sismo que ocorreu esta terça-feira já causou mais danos e mais mortos. Há vários fatores que explicam esta situação, mas os principais estão relacionados com as caraterísticas do terreno e as da construção.

A especialista Nieves Sánchez Guitián, do colégio oficial de geólogos do México, explicou à edição mexicana do jornal El País que a Cidade do México está localizada numa região formada por “cinzas vulcânicas pouco consolidadas, com líquido entre os poros". Isto confere ao terreno "um comportamento fluído e reduz a sua consistência”, num fenómeno é tecnicamente conhecido como liquefação.

“O terreno atua como se fosse uma esponja, com o nível de água entre os portos. Ao produzirem-se as vibrações causadas pela onda sísmica, o líquido move-se e gera-se um risco maior.”

Por este motivo, os edifícios que assentam no solo de forma mais superficial têm uma maior probabilidade de se desmoronarem. 

Mas há outras razões que também explicam a dimensão desta tragédia. Desde logo porque este novo sismo sacudiu precisamente a região que tinha sido afetada pelo forte abalo que ocorreu em 1985, que fez cerca de 10 mil mortos, e que, por isso, estava mais fragilizada. De resto, qual ironia de mau gosto da Natureza, o país assinalava precisamente o aniversário desse desastre e sofreu o abalo pouco tempo depois de ter sido realizada uma simulação sísmica.

Os especialistas apontam ainda o dedo à construção na Cidade do México, sobretudo aos edifícios que foram mal reconstruídos após o sismo de 1985.