O representante da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bissau, José Ramos-Horta afirmou esta segunda-feira querer saber quem são os responsáveis pelo incidente com a TAP que implicou o transporte de 74 passageiros ilegais para Lisboa.

Aquele responsável está ausente da Guiné-Bissau, mas a posição foi conhecida através de uma declaração escrita, distribuída pela representação da ONU no país.

Ramos-Horta espera que a comissão de investigação ao caso anunciada pelo primeiro-ministro de transição «trabalhe célere e eficazmente, para não acontecer como noutras tantas investigações anteriores, nunca concluídas, nunca divulgadas e sem que alguém fosse responsabilizado».

«O eventual envolvimento de autoridades Bissau-guineenses neste caso é motivo de grande preocupação, sobretudo no atual quadro de tentativa de retorno à ordem constitucional, em que as condições de segurança são fundamentais», refere.

De acordo com o representante da ONU, o incidente com a TAP pode prefigurar uma situação de «tráfico de seres humanos, legitimando assim a suspensão imediata das carreiras diretas daquela companhia entre a Guiné-Bissau e a Europa».

A tripulação do voo da TAP entre Bissau e Lisboa de terça-feira, 10 de dezembro, foi ameaçada e obrigada por autoridades guineenses a transportar 74 passageiros com passaportes falsos.

A situação levou a transportadora aérea portuguesa a suspender os voos diretos entre os dois países.

A comissão criada pelo governo de transição para investigar o assunto é liderada pelo ministro da Justiça, Saido Baldé, e deverá apresentar conclusões até quarta-feira.