Enquanto em Genebra, na Suíça, decorrem as conversas para encontrar uma solução política para a guerra civil que há cinco anos devasta a Síria, um jornalista russo divulgou imagens da destruição deixada pelo conflito em Homs, antes a terceira maior cidade do país, agora reduzida a escombros e ruínas.

Alexander Pushin, da televisão estatal russa, mostra o estado desta cidade onde já viveram 650 mil pessoas. Um vídeo visto como propaganda pela oposição ao regime sírio, para justificar a presença russa no país e os ataques aéreos lançados sobre os rebeldes, considerados “terroristas”.
 
 Como escreve o “The Independent”, propaganda ou não, o vídeo mostra o estado em que ficou a cidade, e ilustra a razão que levou já 11 milhões de sírios a abandonar o país – mais de metade da população da Síria antes da guerra.

                   

Em Genebra, as conversas de paz mediadas pela ONU não parecem querer avançar. Apesar de na segunda-feira ter sido anunciado que as negociações tinham começado oficialmente, a realidade pode não ser esta.

O Governo de Bashar Al-Assad recusa-se a entrar para as negociações com acordos prévios, e não concorda com alguns dos nomes sentados à mesa – como o líder do Alto Comité para as Negociações, o ex-primeiro-ministro sírio, Riad Hijab, que chega a Genebra esta quarta-feira.

Do lado da oposição ao regime, é exigido que o Governo e a Rússia acabem com os ataques aéreos, e com o cerco às cidades controladas pelos rebeldes a necessitarem de ajuda humanitária, como é o caso de Madaya – onde há pessoas a morrer à fome.

O enviado do Governo, Bashar al-Jaafari, por sua vez, diz não ter parceiros para negociar, e recusa as exigências dos rebeldes em parar com os planos no terreno antes de qualquer acordo.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, já alertou para a possibilidade de um "fracasso" nestas negociações, ainda que tenha afirmado anteriormente que acredita que compromissos podem ser alcançados até 11 de fevereiro.

Já do lado europeu, apesar de vídeos como este registarem a falta de condições para viver na Síria, o sentimento antirrefugiados continua a crescer na Europa. Recentemente, vários países anunciaram medidas para travar a entrada de pessoas em busca de asilo, com especial relevo para a Dinamarca, que introduziu legislação que permite confiscar bens dos refugiados, e para a Suécia, que pretende expulsar cerca de 80 mil pessoas que procuraram asilo no ano passado.