A reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, requerida pela Rússia, sobre os ataques realizados hoje pelos Estados Unidos, em conjunto com o Reino Unido e a França, contra alvos na Síria, decorreu esta tarde em Nova Iorque.

Uma breve intervenção do secretário-geral das Nações Unidas marcou o início dos trabalhos. António Guterres pediu hoje no Conselho de Segurança que se evite uma situação “fora de controlo" na Síria, mas também que se evite um agravamento do sofrimento do povo sírio.

“Insto todos os Estados-membros [a] que mostrem moderação nestas perigosas circunstâncias”, disse Guterres, no início de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, requerida pela Rússia, após os ataques realizados hoje de madrugada pelos Estados Unidos, em conjunto com o Reino Unido e a França, contra alvos na Síria.

A reunião, a quinta deste órgão de decisão máximo das Nações Unidas num período de uma semana, foi pedida pela Rússia, aliado tradicional do regime sírio, horas depois da realização dos ataques.

Já o embaixador da Rússia na ONU afirmou que os ataques ocidentais desta madrugada à Síria foram um “ato de agressão” contra um Estado soberano e acusou EUA, Reino Unido e França de “hooliganismo diplomático”.

Vasily Nebenzya, que falava na reunião do Conselho de Segurança da ONU, considerou que os ataques “tornam uma situação humanitária catastrófica ainda pior”. O embaixador pediu por isso ao Conselho que vote favoravelmente o projeto de resolução que Moscovo apresentou, no qual defende que a ONU condene a “agressão” armada ocidental contra a Síria, a qual “viola o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas”.

O Conselho de Segurança está reunido desde as 11:00 locais (16:00 em Lisboa) a pedido da Rússia.

A Rússia, um aliado do regime sírio, é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o que lhe confere direito de veto. Os outros quatro membros permanentes são os Estados Unidos, o Reino Unido, França e a China.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, também reagiu ao ataque e pediu  para ver as provas que EUA, França e Reino Unido dizem ter do alegado ataque químico contra Douma, que originou os ataques desta madrugada na Síria.

“Eles disseram que os factos eram incontestáveis, mas que não os podem partilhar connosco”, disse Lavrov num encontro com jornalistas em Moscovo, citado pela BBC.

“Não nos dão mais nada, limitam-se a citar meios de comunicação, redes sociais e o vídeo, o que é absurdo da parte de especialistas”, acrescentou, citado pela agência russa Tass. A Rússia seria a primeira a querer travar um tal ataque”, assegurou o ministro russo.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram hoje uma série de ataques com mísseis contra três alvos associados à produção e armazenamento de armas químicas na Síria.

O ataque foi uma retaliação pelo alegado ataque com armas químicas lançado pelo regime sírio a 07 de abril contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, no qual morreram pelo menos 40 pessoas.

“Isto aconteceu um dia antes de os inspetores chegarem [a Douma] para investigar”, disse Lavrov, referindo-se à missão da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) que se deslocou à Síria para investigar o ataque.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse na quinta-feira, numa entrevista à televisão nacional francesa, ter provas de que o regime sírio usou armas químicas no ataque a Douma e afirmou que isso constitui uma violação de uma “linha vermelha” que podia levar a ataques ocidentais.

Hoje, depois dos ataques, o Governo francês divulgou um relatório, baseado em “informações fiáveis” e “fontes abertas”, que concluiu que o ataque a Douma foi lançado pelo regime de Bashar al-Assad.

Também hoje, a Casa Branca divulgou um relatório citando “um significativo conjunto de informações” que aponta para o uso de cloro em Douma e “informações adicionais” que apontam para o uso de gás sarin.

“Com base nas informações recolhidas pelos nossos serviços e na ausência até à data de amostras analisadas por laboratórios nossos, França considera, para lá de dúvida possível, que um ataque químico foi perpetrado contra civis em Douma e que não há outro cenário plausível que ter sido um ataque das forças sírias”, lê-se no relatório, citado na imprensa francesa.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram hoje uma série de ataques com mísseis contra três alvos associados à produção e armazenamento de armas químicas na Síria.

O ataque foi uma retaliação pelo alegado ataque com armas químicas lançado pelo regime sírio a 07 de abril contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, no qual morreram pelo menos 40 pessoas.