A União Europeia instou hoje a Rússia a “cessar imediatamente” os ataques da sua aviação à oposição moderada na Síria e a coordenar os ataques ao grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico com a coligação internacional que os combate militarmente.

Moscovo iniciou a 30 de setembro uma campanha de bombardeamentos intensivos na Síria em guerra, para apoiar o regime de Bashar al-Assad, de quem o Presidente russo, Vladimir Putin, é um defensor indefetível, e a UE defende que “não pode existir ali uma paz duradoura com os atuais dirigentes”.
 

“Os recentes ataques militares da Rússia que vão além do Daesh (acrónimo do Estado Islâmico em árabe) e de outros grupos terroristas designados pela ONU, e contra a oposição moderada, estão a suscitar grande preocupação e devem cessar imediatamente”, sublinhou o conselho de ministros de Negócios Estrangeiros dos 28 Estados membros da UE numa declaração hoje adotada no Luxemburgo.


Esta manhã, antes da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, dominada pelo conflito na Síria, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, já tinha afirmado que a intervenção militar da Rússia tinha "alterado as regras do jogo" perante o conflito. 

Papel de Assad na Síria continua a ser discutido na UE

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, explicou que o papel do presidente sírio Bashar Al-Assad e os propósitos da intervenção russa naquele país dominaram o conselho dos chefes da diplomacia. O governante referiu a existência de “divergências de opinião” entre os ministros da UE sobre o presidente da Síria ser “uma parte extremamente importante do problema”.
 

“Em última análise, concluiu-se que Assad não deve ser um elemento permanente do processo político, mas há que encontrar soluções compatíveis com a federação russa” para que o enviado das Nações Unidas possa cumprir a sua missão, afirmou.


Os ministros dos 28 sublinharam também a necessidade de mais esclarecimentos sobre os bombardeamentos russos, que “atingem, em parte, as forças da oposição” ao regime sírio.

Sobre a Líbia, Rui Machete defendeu perante os seus homólogos a necessidade de uma “pressão continuada da comunidade internacional” e defendeu um maior acompanhamento da situação pelo grupo 5+5, que integra Portugal, Espanha, França, Itália e Malta, do lado europeu, e Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia, em representação do norte de África.

Rui Machete defendeu ainda que o Egito deve ser acrescentado a este grupo “por ser um vizinho”.

O ministro português acrescentou não haver informações de que o recente atentado na Turquia possa representar um "prejuízo nas negociações bilaterais que se vão desenvolver a breve trecho e que vão preparar a reunião de La Valetta” que juntará países europeus e africanos para, em novembro, debaterem migrações.