Pelo menos 400 pessoas foram mortas durante as três semanas de combates entre o Estado Islâmico e os curdos na cidade fronteiriça síria de Kobani, informou esta terça-feira o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Nos confrontos com as Unidades de Proteção do Povo curdo, os jihadistas foram obrigados a recuar, mas continuam na cidade e já hastearam a sua bandeira em alguns locais. O Observatório referiu também que na zona sudoeste da cidade vários edifícios foram tomados pelos radicais islâmicos.

«Se isto continuar, se não houver ajuda internacional, se não chegar ajuda militar para os moradores de Kobani e para os combatentes curdos que lutam ali, a cidade poderá cair nas mãos do EI», disse Karwan Zebari, um representante do governo regional curdo nos EUA, à BBC.

Tomar a cidade de Kobani dá ao Estado Islâmico o controlo de uma extensa área da fronteira turco-síria, potenciando a abertura de linhas de contrabando de mantimentos e passagem ilegal de jihadistas.

França quer que seja feito tudo o que for preciso para travar o avanço do Estado Islâmico na fronteira da Síria, e está a discutir com a Turquia quais as ações necessárias.

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Está a decorrer uma tragédia, devemos todos reagir», afirmou Laurent Fabius, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros. Acrescentou ainda que já falou com o seu homólogo turco e que o presidente francês, Francois Hollande, iria falar com o presidente turco ainda esta terça-feira «para ver como reagir face à situação de urgência».

«Também estamos a reforçar a nossa cooperação com forças que estão a combater o EI», adiantou Fabius, sem especificar se se referia às forças curdas.

Estima-se que 180 mil pessoas fugiram para a Turquia. Mais de 2 mil curdos sírios, incluindo mulheres e crianças foram retirados da cidade após a última luta, disse um membro do partido União Democrática Curda (PYD), na segunda-feira passada.