Melhor casadas do que violadas. É assim que pensam muitos dos pais das meninas sírias que são forçadas a casar nos campos de refugiados da Jordânia, escreve o «El País».

As famílias consideram que o casamento protege as menores, evitando que sejam vítimas de abusos sexuais e, ao mesmo tempo, é uma forma de aliviarem as despesas familiares.

Estas são as conclusões de um estudo da Save The Children que alerta para o aumento de casamentos de menores sírias que foram deslocadas do país. A Unicef também destacou esta questão, salientando que «apesar de se tratar de uma prática que já existia na Síria antes da guerra, a pobreza e a falta de educação agravou o problema».

Em 2011, 13% dos casamentos celebrados na Síria tinham como protagonista uma noiva menor. Mas em 2013, estima-se que estes matrimónios constituam cerca de 25% do número total de casamentos. A Save The Children calcula que quase metade das meninas deslocadas do país já estejam casadas.

«As sequelas de uma matrimónio forçado podem ser físicas, mentais e às vezes mortais. O facto de as meninas começarem a ter relações sexuais antes de os seus corpos estarem desenvolvidos podem ser devastadoras: as menores de 15 anos têm mais probabilidades de morrer durante o parto do que as mulheres adultas», afirmou David del Campo, diretor do departamento de Cooperação Internacional da Save the Children.

Além deste tipo de sequelas, o casamento leva a que as menores deixam de ir à escola e desistam dos seus sonhos.

«Sinto-me triste quando vejo as outras meninas do meu bairro a irem para o colégio. Queria ser advogada. Quando vejo mulheres que conseguiram chegar a médicas ou advogadas ou simplesmente raparigas que concluíram os estudos, fico com pena de mim», declarou uma menina de 15 anos que chegou há seis meses a um campo de refugiados da Jordânia, onde foi obrigada a casar.

No entanto, a organização salienta que há progenitores, sobretudo mães, que estão conscientes para estas consequências. Um relatório da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) aponta a crescente oposição das mães a que as suas filhas casem.