Os membros do Estado Islâmico executaram vários soldados, este fim-de-semana, no norte da Síria, de acordo com algumas imagens publicadas pelos apoiantes da organização nas redes sociais. Os jihadistas terão ainda raptado outros soldados sírios que mantêm em cativeiro.

Os crimes aconteceram na base aérea de Tabqa, perto da cidade de Raqqa, no domingo, depois dos combates entre as forças dos jihadistas e as forças do exército sírio que fizeram mais de 500 mortos, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização não-governamental com sede em Londres.



Algumas das imagens publicadas online mostram um grupo de militantes do Estado Islâmico a abater a tiro pelo menos sete homens ajoelhados, que foram identificados como soldados.

Noutras fotografias, grupos entre oito a 10 soldados são levados como reféns. Pelo menos 24 soldados terão sido raptados e três deles foram identificados como oficiais do exército.

É ainda possível ver o corpo de um piloto que apareceu na televisão síria, antes do ataque, para explicar como o exército se poderia defender da ameaça que é a organização islamita.

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A base de Tabqa era a última posição do exército sírio numa área já controlada pelos jihadistas.

Na semana passada, uma reportagem da televisão síria mostrou o local e o armamento de defesa e entrevistou alguns membros do exército.

Depois do ataque, a estação do Estado anunciou que as forças militares do país estavam a «reagrupar-se».

O Observatório informou que 346 membros do Estado Islâmico e cerca de 170 membros das forças de segurança do país morreram nos combates na base de Tabqa, que duraram cinco dias. Este tornou-se, assim, num dos mais mortíferos combates entre as duas forças desde o ínicio do conflito.

Síria: governo e jihadistas matam e torturam

A falta de cobertura ao ataque por parte dos órgãos de comunicação do país tem sido muito criticada pelos sírios, nas redes sociais.

Na página de Facebook «Eagles of the Tabqa Military Airport, Men of Assad», a fotografia onde os soldados são executados foi partilhada com a legenda «sem comentários, eles vendem-vos por pouco».

«Milhares de pessoas querem saber o destino dos seus filhos e a única fonte de notícias é o próprio Estado Islâmico», refere outro utilizador, na mesma página.

No Twitter, há quem peça mesmo a demissão do ministro da Defesa, Walid al-Moulem, utilizando a hashtag «ministro da morte», em árabe.



Walid al-Moulem afirmou, esta segunda-feira, que o Governo sírio está pronto para cooperar com os esforços internacionais para combater o Estado Islâmico. No entanto, destacou que qualquer ataque que não seja coordenado com o Governo será considerado uma agressão.

As declarações do ministro surgem depois de Barack Obama ter autorizado voos de reconhecimento na Síria.

Esta quarta-feira, as Nações Unidas publicaram um relatório que denuncia que tanto o Governo sírio como os rebeldes, matam e torturam.