O Estado Islâmico invadiu esta quarta-feira um campo de refugiados palestiniano perto de Damasco, a capital da Síria, assumindo o controlo de partes do campo Yarmouk, noticia a Reuters.

Um membro da Organização para a Libertação da Palestina confirmou à AFP que os jihadistas assumiram «o controlo da maioria do campo». 

A informação também é confirmada por ativistas sírios e pela televisão libanesa. Segundo estas fontes citadas pelo «Haaretz», decorrem confrontos no interior do campo, entre os jihadistas e um grupo de palestinianos que tentam repor o controlo no campo.

Se o Estado Islâmico conseguir controlar este campo de refugiados, tal representa a maior investida dos jihadistas em Damasco, constituindo, por conseguinte, uma ameaça ao poder de Bashar al Assad.

A invasão ocorre um dia depois do Hamas ter confirmado a morte de um dos seus líderes, Yehia Hourani, no campo, segundo o «Middle East Monitor».

O Hamas refere que o líder foi morto no decurso das «suas funções humanitárias no hospital» daquele campo.

As relações entre o Hamas e o presidente sírio já se tinham, por seu turno, degradado nos últimos tempos. A falta de alimentos e medicamentos já tinha provocado a morte a pelo menos 166 pessoas em Yarmouk. No campo vivem cerca de 18 mil pessoas, mas já foram muitas mais. Em fevereiro de 2014, os rebeldes antigoverno sírio abandonaram o campo após acordo com o regime, ficando apenas os palestinianos que mostravam oposição ao presidente. 

Criado em 1948, em Yarmouk já viveram mais de 160 mil pessoas, concentra escolas, mesquitas e hospitais, mas, a partir de 2015, ficou «entalado» entre os rebeldes antigovernamentais e as forças leais ao regime.