A organização terrorista Estado Islâmico está a aproveitar a crise de refugiados para se “espalhar como um cancro” pela Europa. O alerta é do chefe das forças da NATO, o general Philip Breedlove, que, na terça-feira, fez um ponto da situação no Pentágono, onde apontou ainda o dedo à Rússia e à Síria.

O fluxo migratório para a Europa mascara o movimento de criminosos, terroristas e combatentes. E no meio disto, o Estado Islâmico está a espalhar-se como um cancro, aproveitando caminhos de menor resistência e ameaçando as nações europeias, e a nossa também, com ataques terroristas”, afirmou Philip Breedlove, em conferência de imprensa no Pentágono, depois de um primeiro balanço junto da Comissão das Forças Armadas no Senado norte-americano.

Os supostos bombardeamentos contra posições do Estado Islâmico na Síria têm atingido na sua maioria os opositores do regime de Bashar al-Assad e também milhares de civis, incluindo crianças, defendeu. Para Philip Breedlove, estes ataques indiscriminados pretendem tão somente aterrorizar os sírios para que “se façam à estrada”, ou seja, em fuga rumo à Europa.

Kremlin e Damasco têm, para o general da NATO, o claro objetivo de usarem a migração como uma arma para enfraquecer a unidade europeia e as suas infraestruturas.

O chefe das Forças Armadas não hesitou, por isso, em culpabilizar uma “Rússia que ressurge agressiva” e que representa uma “ameaça existencial a longo prazo para os Estados Unidos” e para os seus aliados.

A participação da Rússia no conflito sírio apenas reforçou, na análise de Breedlove, Bashar al-Assad e os seus aliados, “complicando a situação, tanto no ar como em terra” na dinâmica do teatro de operações, liderado pelos Estados Unidos.

O Chefe da NATO referia-se não só à intensificação do fluxo migratório para a Europa como a relatórios da Defesa norte-americana de que a Rússia está a aproveitar o cessar-fogo na Síria para tomar posições chave na Síria, nomeadamente junto às fronteiras turcas, no apoio aos curdos, e fragilizando as relações entre os dois países.

Breedlove disse, igualmente, recear o crescente mal-estar dos cidadãos dos países de acolhimento para com a população migrante e refugiada, nomeadamente da Síria, Afeganistão, Iraque e alguns países de África.