Os sírios e líbios que fogem para a Europa estão a "pecar" e a expor os seus filhos ao "cristianismo, ateísmo, drogas, álcool e sexo" e a afastar-se do ensinamentos do Islão, avisa o Estado Islâmico numa recente publicação.

Na edição de setembro da revista do grupo terrorista, intitulada Dabiq, os refugiados e migrantes que saem destas zonas em direção ao velho continente são criticados pelos jihadistas, que os acusam de arriscar a “vida” e a “alma” para partir para as terras da “indecência”.
 

“Infelizmente, alguns sírios e líbios estão dispostos a arriscar as vidas e almas dos seus filhos, sacrificando muitas [vidas] na viagem perigosa para as terras” dos infiéis, governadas “por leis do ateísmo e indecência”.


Ainda que afirmem que a maioria das pessoas que foge da Síria parte de zonas controladas pelo governo de Bashar Al-Assad, os autores do texto dizem que quem abandona as terras do Islão está a cometer um “pecado enorme”.

“Trocar as terras do Islão pela dos não crentes é um enorme pecado e um risco para os filhos e os netos [de quem o faz] que podem abandonar o islão pelo cristianismo, ateísmo, ou liberalismo.”

O texto acrescenta que ao partir para países que não seguem a lei islâmica, há o risco de esquecer a língua árabe, o que torna um eventual regresso à religião mais difícil.

“[Vão estar] constantemente expostos à ameaça do sexo, sodomia, drogas e álcool. (…) Mesmo que não pequem, vão esquecer a língua do Corão – o árabe – a que os rodeava na Síria, Iraque, Líbia e outros lugares, tornando o regresso à religião e os seus ensinamentos mais difícil”.

 

Estado Islâmico cria a própria moeda

 
Já no inicio da semana o Estado Islâmico tinha anunciado, através de um vídeo propagandístico, uma outra medida de “corte” com o mundo ocidental: a criação da sua própria moeda.

Apesar de não ser um projeto novo – já tinha sido anunciado no ano passado – só agora chega a confirmação de que o grupo terrorista vai mesmo colocar em circulação moedas de ouro, prata e cobre inspiradas nas que eram usadas há mais de um milénio nos califados islâmicos.

Segundo o El Mundo, o grupo terrorista quer deixar de usar o dólar nas trocas comerciais, como a venda do petróleo, e nos pagamentos aos seus jihadistas, tentando, assim, destruir o “sistema financeiro satânico” comandado pelos EUA.

O intitulado “dinar de ouro” terá um valor de cambio de 139 dólares (cerca de 124 euros) por unidade.