As crianças em Aleppo, na Síria, estão determinadas a defender-se dos ataques aéreos e para tal têm adotado o mecanismo pouco convencional de queimar pneus. O objetivo é criar uma zona de exclusão aérea sobre a cidade sitiada.

O fumo dos pneus dificulta a visibilidade dos pilotos que bombardeiam a zona leste da cidade, controlada desde 2012 por grupos que se opõem ao governo do Presidente Bashar al-Assad. O jornalista da BBC News, Rami Jarrah, que faz a cobertura da guerra na Síria, afirma que a estratégia de queimar pneus é eficaz.

"O fumo confunde os pilotos dos aviões e acaba por permitir aos rebeldes ter acesso a rotas de abastecimento", explica.

Durante as últimas semanas, a zona leste da cidade síria sofreu intensos ataques de forças governamentais, que contam com o apoio aéreo da Rússia, aliado do Governo de Assad. Em junho, apoiantes do presidente sírio conseguiram cortar todas as vias de abastecimento para os rebeldes, que, por sua vez, lançaram uma ofensiva para tentar romper o bloqueio.

"Toda a gente está a queimar pneus, mas nas atuais circunstâncias da resistência, essa é realmente a única coisa que as crianças podem fazer", acrescenta o jornalista.

As organizações humanitárias calculam que ainda haja 250 mil civis a viver nas zonas de Aleppo controladas pela oposição armada. De acordo com a ONU, as reservas de alimentos poderão esgotar-se em meados de agosto, o que causará fome generalizada.

No último fim de semana, as forças governamentais e a Rússia estabeleceram um corredor humanitário para permitir que civis pudessem sair de Aleppo. Mas os rebeldes alegam que o corredor humanitário não foi criado para permitir a entrada de alimentos e de medicamentos, e sim para retirar as pessoas da região.

Nos últimos dias, Aleppo tem sofrido com o fogo cruzado. Com o apoio dos bombardeamentos russos, forças leais a Assad têm reagido à ofensiva dos rebeldes que tentam romper o bloqueio à cidade.

Na terça-feira, Moscovo rejeitou as críticas do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que tinha pedido à Rússia que se abstivesse de lançar ofensivas sobre a zona controlada pelos rebeldes.

O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Ryabkov, disse à agência estatal Ria-Novosti que a exigência norte-americana é "inaceitável", num momento em que as forças governamentais estão a avançar, com o apoio russo, no combate contra o que chamou de "terroristas".