Por: Redacção | 4- 2- 2012 17: 13
A Rússia e China vetaram neste sábado pela segunda vez uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando
a violência na Síria e apoiando a iniciativa política da Liga Árabe para o país afastando o presidente Bashar Al-Assad do
poder.
O projecto de resolução, apresentado por Marrocos e apoiado pelo bloco ocidental do Conselho de Segurança,
incluindo Portugal, recebeu 13 votos a favor e dois contra de dois membros permanentes do Conselho, que têm poder de veto.
Rússia e China já tinham vetado em Outubro do ano passado uma resoluçäo do Conselho de Segurança sobre a Síria,
apresentada pelos países ocidentais. O veto de hoje seguiu-se a uma manhã de consultas no Conselho de Segurança em torno de
alterações de última hora propostas pela Rússia.
A última versão da resolução foi rectificada ao longo da semana
passada no Conselho de Segurança após negociaçöes entre os 15 países-membros, tendo sido retiradas referências à perda de
poderes pelo presidente sírio, que a Rússia rejeitava.
A resolução oferecia «apoio total» à iniciativa, de 22 de
Janeiro, sobre a Síria, para «facilitar uma transiçäo política que leve a um sistema político democrático e plural, no qual
os cidadäos são iguais independentemente da sua afiliação,etnia ou crença, incluindo pelo começo de um diálogo político sério»
entre o regime de Bashar Al-Assad e a oposiçäo síria.
Inicialmente, a resoluçäo explicitava que a iniciativa árabe
tinha como objetivo a formaçäo de um governo de unidade nacional, através da delegação da «total autoridade» de Assad ao seu
vice-presidente num «período de transição», culminando em eleiçöes «livres e justas» sob supervisão árabe e internacional.
Uma das propostas da Rússia era substituir a expressäo «apoio total» à iniciativa árabe por «leva em conta», numa
citação da agência Lusa. Outra referência retirada do texto anterior foi a de «grave preocupaçäo com a transferência contínua
de armas para a Síria», de que a Rússia tem sido acusada.
Encontro bilateral EUA-Rússia enquanto decorria reunião
do Conselho
Enquanto a discussão acontecia no Conselho de Segurança da ONU para uma votação, Estados Unidos e
Rússia mantiveram um encontro bilateral em Munique representados, respectivamente, pela secretária de estado Hillary Clinton,
e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.
Estas negociações foram, como se viu, infrutíferas tendo
Clinton referido ainda antes de se saber do veto, como referiu a agência Reuters, que há países que impedem a comunidade mundial
de condenar a Síria; e, já depois de se saber da decisão na ONU, referir que uma acção militar está fora de questão.
A
última tomada de posição mundial sobre a Síria acontece no dia seguinte àquele que terá sido o dia mais sangrento de 11 meses
de confrontos.
Nesta sexta-feira, os relatos de bombardeamentos do exército governamental sobre a cidade de Homs
dão conta de mais de duas centemas de mortos e outras centenas de feridos, entre civis que incluem crianças e mulheres.
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